quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sofrimento que traduz alegria (parte 2)

Filhos transformados em órfãos; cônjuges em viúvos; e pais assaltados pela indesejável surpresa de perderem seus filhos como que fora de tempo. São situações que traduzem “dor, sofrimento”. O que pensar e dizer aos que sofrem?

Há algumas consideráveis palavras a serem ditas: A mais comum é a lembrança de que a vida não termina aqui. Isto é, a morte não é o fim, mas o começo de uma nova realidade; não qualquer uma, mas a realidade ideal, em meio a um relacionamento perfeito com Deus. Esta consideração se apresenta atraente para aqueles que são do Senhor. E para os que não são (ou, não foram)? Geralmente, a lembrança desta realidade surge; porém, prevalece o silêncio como melhor maneira de não constranger, ou de não aumentar o sofrimento.

Há outra palavra comum que é aplicável a todos, e, por isso, repetida, que é a lembrança de que Deus é soberano. “Deus sabe o que faz!”, é a afirmação preferida do povo. Seja por absoluta, e reflexiva, convicção; ou por simplesmente não saber o que dizer; se repete a tese de que Deus é o responsável pela dor, e isto, baseado em seu total conhecimento, que não lhe permite errar; mas, lhe permite imprimir sofrimento.

Há ainda uma respeitável consideração teológica que nos empurra a uma reação positiva. A lembrança de que muito da dor que sofremos na perda se dá por egoísmo. Isto é, sabemos, como Paulo afirmou, que melhor é partir e estar com o Senhor do que ficar. O que traz a implicação de que aquele que partiu no Senhor, está numa situação infinitamente superior à que estaria se continuasse entre os que ficaram. Por que, então, sofremos? Por que lamentamos? Porque lidamos com a “nossa” perda. Lidamos com o “nosso” sentimento. Conseqüentemente, choramos por nós, e não pelo que partiu. Choramos pela dor que sentimos, pela ausência, pela saudade.

Isto reflete precisamente a alegria. Sim! Pois, quando sentimos tristeza pela saudade de alguém é sinal de que vivemos momentos que valeram a pena. Saboreamos momentos de satisfação, de regozijo; momentos que não gostaríamos de experimentar o término. Ninguém sente saudades de alguém que não conheceu. Ninguém sofre a perda de alguém indesejável. Sofremos pelas marcas deixadas por aqueles que trouxeram alegria.

Neste sentido, o sofrimento traduz alegria. É exatamente por isso que alguns têm medo de se relacionar com profundidade, pois temem sofrer a perda, ou a ferida decepcionante, causada por alguém que ama. A verdade é que quando lidamos com o sofrimento por alguém, é porque experimentamos (direta ou indiretamente) a alegria com esta pessoa. Isto, talvez, torne o sofrimento diferente aos nossos olhos. Uma boa maneira de lidar com o sofrimento é não vê-lo puramente, isto é, não considerar somente o sofrimento e sua dor. Devemos considerar a causa do sofrimento, a motivação da dor na perda. E isto nos conduzirá ao passado; nos guiará a momentos marcantemente satisfatórios. Se, pode aumentar a consideração da perda? Sim, mas pelo menos balanceará o sofrimento e a alegria. E confirmará que não há sofrimento de perda para casos e pessoas em que não houveram alegria.

Vale a pena, então, buscar a alegria com o próximo, já que corro o risco de sofrer? Este é o questionamento de alguns. Eu respondo com outro questionamento: Vale a pena não viver?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sofrimento que traduz alegria (parte 1)

Por que temos de sofrer? A resposta de que é conseqüência do pecado é suficiente, teologicamente falando; mas, será que Deus é unicamente sistemático, relacionando-se em conformidade com suas considerações dogmáticas para fazer com que o homem entenda e reaja teologicamente? Creio que não.

Quando olhamos para as Escrituras observamos um Deus bem mais voltado para seus relacionamentos do que para suas “aulas” de teologia. Ao contrário do que pensam e determinam alguns, o entendimento teológico é conseqüência do relacionamento de Deus com sua criação. Não é o entendimento teológico que determina o que Deus é, sente e faz; ao contrário, este entendimento é a tentativa humana de moldurar a Deus; não para limitá-lo, o que em muito acontece, mas para torná-lo acessível à mente limitada do homem.

Teologizar é tarefa árdua, pois lida com algumas limitações, que geram tendências e vícios. As limitações existem pela simples, porém profunda, compreensão de que a limitadíssima criatura precisa pensar e compreender o ilimitado Criador. É tarefa desproporcional para o mortal pensar no Imortal, colocar em moldes finitos a eternidade. O tempo e, principalmente, a ausência deste, limita a abrangência e as considerações, levando o discurso a ser em muito subjetivo, isto é, sentido, porém impossível de ser descrito absolutamente.

As tendências, por sua vez, existem no conformar o Criador à grade particular de cada pessoa, de cada movimento (ou linha) teológico. Cada movimento estabelece seus “sim” e “não”, seus “prós” e “contra” no entendimento de Deus e de sua vontade, conforme a herança de sua formação, enquadrando o Criador dentro de sua cosmovisão. Muitos se acomodam a esta realidade por perceber que todos são indiscutivelmente passíveis de tal tendência. Muitos, sequer conseguem teologizar, pois gastam todo seu tempo e energia no difícil exercício da busca de uma maior honestidade hermenêutica.

Porém, a limitação observada nesta tendência torna-se um vício quando o “pesquisador” assume o lugar do “pesquisado”, fazendo do laboratório toda a expressão da realidade do mundo pesquisado. Resumindo, quando o teólogo torna-se “deus”, invertendo assim a ordem revelada: ao invés de sermos criados à imagem e semelhança do Criador, o pesquisador torna Deus à imagem e semelhança da criatura, o homem. Isto se dá quando o teólogo estabelece o que Deus é, sente e faz; dando às suas próprias observações (interpretações) um valor absoluto com status divino. Esta tendência de fazer Deus gostar e falar aquilo que gostamos, ou de não gostar daquilo que não gostamos, engaiolando o Criador como um pássaro que come e bebe o que damos; empobrece a arte da teologia, assim como seu resultado.

Assim, na arte de teologizar, um dos primeiros exercícios do bom pesquisador é o de questionar suas “descobertas”: é o Criador ou sou eu quem estabelece isso? Para muitos, o exercício não passa deste ponto; porém, para os que o ultrapassa, conhecer, entender e viver o Senhor torna-se a mais bela e responsável tarefa a ser experimentada. Bela pela expressão possível do Senhor e pela perplexidade das descobertas; responsável pela seriedade no viver e comunicar aquilo que, por graça, tenha chegado até nós.
Com estas considerações voltemos ao início do texto: Por que temos de sofrer? Se permitido, continuaremos no próximo texto a ser postado.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A Beleza da Igreja

Há duas verdades bíblicas quanto a Igreja, que quero destacar. A primeira é que sua beleza não está no prédio grande, bem estruturado, ... Sua beleza não está no vestuário de seus membros... Sua beleza também não se encontra no sorriso ou na seriedade... A beleza da igreja está em seu Deus!

“Edificarei a minha igreja” - Nossa existência deve-se a Ele!
“Ele é a cabeça da igreja” - Nosso viver é determinado por Ele!

É, inclusive, esta realidade que traz seriedade ao ministério, revelando o peso da responsabilidade que temos diante do Senhor: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20.28).

A fonte de nossa beleza é Deus com toda a Sua perfeição, Sua grandeza imensurável, a eternidade, onipotência, onisciência, onipresença, majestade e soberania. O que torna a igreja diferente é o fato dela ser de Deus, o que implica em uma conduta vívida de moralidade, onde se destaca a santidade, a justiça e o amor. É Deus operando em nós e através de nós: “Ora àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para o todo o sempre” (Efésios 3.20-21).

Assim, somos, como igreja, belos, quando refletimos a glória de Deus, pois é para isso que fomos chamados: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2.9).

A segunda verdade é que a beleza da igreja é mais bem revelada nos relacionamentos. É interessante como todos os textos que tratam da sabedoria de Deus, da maturidade que dEle procede, apontam para a necessidade de relacionamentos saudáveis (Tiago 3.13-18). A única forma de manifestar a beleza da igreja, que é o Senhor, refletindo seu caráter santo, justo e amoroso, é através dos relacionamentos.

Revelar aquilo que não é comum aos homens, aquilo que aos olhos desta sociedade egoísta, invejosa, e por isso corrupta, parece utopia, sonho impossível de ser realizado: o amor, a misericórdia, a bondade, o perdão, o viver em comunidade, em família, buscando o bem de todos, buscando a edificação, isto é, o crescimento por meio da maturidade, do discernimento, da visão de Deus em nós, e por meio de nós (Colossenses 3.12-17).
Não foi por acaso que o Senhor Jesus Cristo afirmou que seríamos conhecidos como seus discípulos se amássemos uns aos outros: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.34-35).

quinta-feira, 20 de março de 2008

Deus


Eterno, então Imane
Ascende ao pecado
Distante da vida em pane
Transcende Imaculado

Terno, então acessível
Abraça o pecador
Desfaz o impossível
Como imanente Redentor

Como abarcar transcendência
E imanência numa só essência?

A Ordem que sustenta o universo
Traduz inteligência extra-humana
A paz do convertido perverso
Induz à interferência sobre-humana

Pr. Wagner Amaral
20/03/2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

Adoração "musical"


Criar ambiente e fixar conteúdo. Independentemente das diversificadas opiniões, estes objetivos têm prevalecido na história da música, especialmente a partir do ano 1500; deixando para trás a “música gótica”, em que compor e interpretar era tarefa de todo músico, através de improvisações. Desde que a tarefa de compor e de interpretar se tornou distinta, os objetivos de criar ambiente e fixar conteúdo passaram a conviver ora em acirrada disputa ora em harmoniosa e bela parceria. Evidentemente tal instabilidade se deu mais pela interpretação e definição de cada músico do que pelas possibilidades da própria arte musical.

Quando transportamos estes objetivos para a música na igreja, pensando, exclusivamente, em adoração; devemos considerar que tipo de ambiente é desejável? Uma resposta rápida e concisa seria: Ambiente de adoração. Este, seria, provavelmente, melhor compreendido como ambiente de louvor e de gratidão que nos leve a pensar em Deus; ambiente de alegria que nos ligue a Ele; ambiente de reflexão que nos ligue a Sua Palavra; ambiente de dedicação que nos leve ou ao arrependimento, ou ao desejo de servir; e ambiente de amor que produza comunhão entre os que são do Senhor.

Diante deste quadro a sucessiva pergunta seria: Que tipo de música cria estes ambientes? Novamente, uma resposta simplória (normalmente dada) seria: Música que traduza adoração. Porém, a pergunta persiste: que tipo de música cria os ambientes desejados para a adoração?

Quanto à letra? Uma breve resposta seria a de que seu conteúdo deve concordar com a Revelação de Deus (Salmo 19.7ss). Uma letra que apresente, musicalmente, a perfeição que restaura a alma; que dá sabedoria; que alegra o coração; que conduza ao discernimento e a irrepreensibilidade. Que seja agradável ao Senhor: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (v.14).

Quanto à melodia? Que seja agradável, coerente, e significativa (Salmo 137.1-4). [Melodia é uma sucessão dos sons musicais combinados. É a
voz principal, que dá sentido a uma composição musical. Encontra apoio na harmonia, que é a execução de sons simultâneos dos demais instrumentos ou vozes quando se trata de música coral
] Os israelitas questionavam a possibilidade de melodiar as canções de adoração em ambiente conflitante: “Como haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?” (v.4). A melodia deve convergir o ambiente de adoração a seu conteúdo, traduzindo uma coerência significativa ao adorador e ao Adorado.

Quanto à harmonia? O óbvio! Que seja harmônica, isto é, perceptível, ordeira, e bela (Salmo 19.1-6). [Harmonia é o campo que estuda as relações de encadeamento dos sons simultâneos (
acordes). A harmonia é um conceito clássico que se relaciona às idéias de beleza, proporção e ordem
] A música na adoração deve traduzir e transmitir os atributos do Senhor, revelando Sua beleza, Seu controle e sensibilidade; à semelhança da descrição de Davi no Salmo 19, quando mostra que a criação proclama a glória de Deus, através destas características: “por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (v.4).

Quanto ao ritmo? Que estimule os adoradores a uma reação que propicie o ambiente esperado (Salmo 150). [Ritmo designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa vida. Ritmo é o
tempo que demora a repetir-se um qualquer fenômeno repetitivo, mas a palavra é normalmente usada para falar do ritmo quando associado à música, à dança, ou a parte da poesia, onde designa a variação (explícita ou implícita) da duração de sons
com o tempo] Observamos tipos de ambiente distintos na adoração, como ambiente de alegria ou de contrição. Assim como na comunicação (inclusive na arte da homilia) usamos ritmos distintos no falar e no gesticular para expressar da melhor maneira possível a mensagem de Deus, atraindo a atenção do ouvinte, conduzindo-o a uma reflexão, aceitação e prática do exposto; assim, também, almejamos com o ritmo na música. O Salmo 150 nos direciona a variados ritmos, a partir dos instrumentos alistados: "Louvai-o ao som da trombeta; saltério e harpa; adufes e danças; instrumentos de cordas e flautas; címbalos sonoros; címbalos retumbantes".
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Enfim, música que traduza adoração. Mantendo o foco no Adorado, mas, estimulando o adorador a uma adoração verdadeiramente espiritual: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Romanos 11.36).

sexta-feira, 7 de março de 2008

O valor da música


A música é um aspecto da adoração. É interessante notar que nas diversificadas visões dos personagens bíblicos acerca da presença de Deus, ou da habitação de Deus, há algo em comum: a música!

“Então vi no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. [...] E entoavam um novo cântico.” (Apocalipse 5.6-14).

Os santos cantavam a respeito de Cristo, a respeito da redenção mediante o sangue; enfatizando os propósitos soberanos de Deus em atrair para Si mesmo um povo, para que sejam reis e sacerdotes.

A música é parte integrante da adoração. Considerando em sentido bem específico sua função, notamos que ela possui dois objetivos, que são (ou podem ser) tanto distintos quanto congruentes. E estes têm se confirmado na história humana: (1) Criar ambiente, e (2) fixar conteúdo. Durante grande período na história eclesiástica, o canto gregoriano serviu para propiciar um ambiente espiritual, facilitando a reflexão. A partir da Reforma protestante, a música congregacional é implementada por Lutero, objetivando ensinar o conteúdo das Escrituras. As duas realidades, modificadamente, perduraram até os tempos pós-modernos.

Estas realidades estiveram presentes na rotina de Israel, e uma das provas disto são os salmos, verdadeira herança dos sentimentos e da aprendizagem do povo. Como exemplo, temos textos já considerados:

1. (2 Samuel 6) “Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor”. A adoração de Davi manifestava suas emoções, revelando o ambiente de alegria; porém, não trazia naquele momento nenhum conteúdo teológico específico (14-15, 21).

Alguns poderiam argumentar que junto ao ambiente musical, Davi ensinou ao povo sacrificando ao Senhor, fixando assim ensinamento (13, 17). Os sacrifícios faziam parte da solenidade, como a leitura e a oração fazem parte do culto; no entanto, conteúdo específico, por parte da música, não está relatado.

Todo o povo, guiado por Davi cantavam ao Senhor: “Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus, com todo o seu empenho; em cânticos” (1 Crônicas 13.8). Não sabemos o conteúdo exato destes cânticos, mas, evidentemente, manifestavam sua adoração. Porém, é claro neste contexto que o ambiente prevalecia, sendo declarado pela alegria e pelo empenho de todo povo.

2. (1 Crônicas 16.4-5, 23-25; 25.1; 2 Samuel 23.1-2) “Davi, juntamente com os chefes do serviço, separou para o ministério os filhos de Asafe, para profetizarem através da música”. O objetivo de proclamar a vontade do Senhor para o povo; de ensinar; de relembrar quem o Senhor é e o que Ele espera de seu povo. Neste caso é imperativo que o conteúdo da adoração cantada (hinos, hinetos) sejam doutrinariamente corretos. Expressem, com exatidão, as palavras do Senhor.

Diante desta realidade múltipla e ao mesmo tempo integrada, entendemos o porque do esforço de Davi, como rei, em estabelecer uma estrutura toda especial para a adoração através da música. Assim, como entendemos também o porque da exortação de Paulo a igreja quanto ao equilíbrio no cultuar: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.” (1 Coríntios 14.15). Uma consideração da realidade múltipla da música, em seus objetivos. Mas, também, da realidade integrada, mostrando a necessidade do equilíbrio entre a razão e o fervor, entre a consciência e as emoções.
Poucas coisas ressaltam a beleza da adoração como o faz a música. Deus nos deu cânticos! O livro mais extenso das Escrituras é o livro dos Salmos. A música não é um elemento extra que acrescentamos ao culto, não é preenchimento de espaço. Ela é vital para nossa adoração: “Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo” (Salmo 92.1).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O silêncio revelador de Deus

“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.” (Habacuque 1.2-4)

O profeta Habacuque revela sua angústia por duas razões: Primeiramente, a que ocupa a maior parte de sua fala: a injustiça é manifestada em todos os cantos, em todos os momentos, a todas as pessoas. Em segundo lugar, aquilo que o conduz a angústia: o silêncio de Deus. A aparente passividade, ou mesmo omissão de Deus diante de terrível quadro.

Para o profeta este silêncio afrouxa a lei, causando nos homens uma certa arrogância em agir como bem entender, crendo que não será alvo de correção. Mas, acima desta conseqüência, o maior incômodo é o silêncio em si. Como profeta, portanto, porta-voz de Deus ao povo, o silêncio divino o silenciava também; afinal, suas palavras ao povo eram palavras originadas de Deus. O pecado aumenta, a injustiça se alastra, o necessitado olha para o profeta, aguardando direcionamento, e juízo aos opressores, e .... nada! Deus nada diz. Nenhum sinal, nenhum juízo, nenhuma esperança, enfim, nenhuma manifestação.

Dói! Angustia! Queima por dentro e revolta por fora. Mas, por incrível que pareça, Deus, em muitas situações, revela seus sentimentos e vontade com seu silêncio, mais do que com palavras. Temos exemplos nas Escrituras, deste silencio revelador de Deus:

1. Revelando rejeição: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Isaías 1.15).

2. Revelando disciplina, como no caso do silêncio definitivo de Deus para com Saul (1 Samuel 15).

3. Revelando amor sacrificial: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Isaías 53.7).

4. Revelando concordância, como no caso de Jesus diante do sinédrio (Mateus 26.60-63), e diante de Pilatos (Mateus 27.11ss).

Em silêncio o Senhor revelou, poderosamente, sua vontade. Assim, quando em silêncio, não necessariamente, Deus está passivo, omisso, ou mesmo indiferente. O seu silêncio exige de nós, uma voltar-se a ele. Exige uma maior atenção, um mais qualificado tempo. Quando em silêncio, Deus nos coloca para exercitar a atenção, a paciência, a perseverança, a dependência. Deus desperta e fortalece a esperança. Em silêncio, Deus exige mais de nós. Ele nos quebra, e nos angustia; para, então, nos fortalecer; tornando-nos mais resistentes e observadores.

Ame a Deus em seu silêncio!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Reino está aqui

O que é a vida cristã para você?
Em uma palavra, o que Jesus Cristo trouxe para você?
(se for salvação) O que significa?

Creio que a resposta a todas estas perguntas está na expressão: O REINO DE DEUS ESTÁ AQUI. Expressão que João Batista ensinava: o reino está próximo; e Jesus afirmou: o reino é chegado. E por incrível que pareça aos nossos ouvidos pós-modernos isto muda absolutamente tudo. E a proposta não é simplesmente de uma mudança particular, mas sim mundial.

Um escritor relatou a pergunta de uma repórter a um pastor americano por que tantos cristãos de seu país apoiavam firmemente a guerra promovida contra o Iraque se estava claramente contra os ensinamentos de Jesus? “Jesus falou de paz e de reconciliação, de se voltar a outra face, andar a segunda milha, etc..., como conciliar isso com a guerra?”. O pastor respondeu: “Os ensinamentos de Jesus são pessoais, nada tem a ver com política, ou mesmo com política exterior”.

A mensagem de Jesus é pessoal, mas não privativa. Ela tem tudo a ver com questões públicas de um modo geral, e com questões políticas em particular. Jesus chamou sua mensagem de BOAS NOVAS, termo que em si é público. Os imperadores de seu tempo sempre que conquistavam uma vitória importante enviavam mensageiros para anunciar as boas novas. César Augusto, por exemplo, que governou o império de 27 a.C. a 14 d.C., imprimiu suas boas novas na inscrição encontrada em Mira, na Lícia: Divino Augusto César, filho de deus, imperador da terra e do mar, o benfeitor e salvador de todo mundo, lhes trouxe a paz.

Jesus, em seu tempo, dizer que o reino de Deus (um novo reino) era chegado, que estava disponível para ser agarrado, ali, naquele instante, era um escândalo. E a forma como esta mensagem, ou melhor, este reino, foi anunciado, isto é, o meio de comunicação usado foi algo espetacular, que funcionou ali, durante a história nestes milhares de anos, e continua funcionando aqui, hoje. Jesus usou duas ferramentas incríveis: Uma, a comunicação oculta e intrigante das parábolas. Outra, o poder transformador dos milagres.

Assim, a vida espiritual tem tudo a ver com política, esporte, roupa, comida, dinheiro, estudos, profissão, violência, fome, guerras, terrorismo, etc.

(continuarei)
[baseado no livro: A Mensagem secreta de Jesus]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Maldita influência

Números 13.25ss: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós”.

Toda influência é influenciada por uma reação a algo superior.

Um pouco mais de dois anos havia se passado, desde a saída do Egito. A saída, os mandamentos, as regras, as estratégias de acampamento, de guerra. Tudo já encaminhado. Chegam finalmente às portas da terra prometida, e doze homens são enviados por Moisés a espiar. O povo, assim como sua liderança, na expectativa de boas notícias; afinal, foram retirados da escravidão do Egito para esse grande momento. Todos cansados da rotina itinerante, porém, alegremente tensos; afinal seriam um povo respeitado, e assim, o futuro de suas famílias estaria garantido. No entanto, com o retorno dos espias a decepção! E, então, percebemos a força da influência; e como esta pode ser positiva ou negativa, boa ou má. O texto revela esta força em quatro etapas.

Primeiro, a influência (13.27-29, 31-33). Normalmente todo discurso negativo segue uma mesma linha. Primeiro, uma breve palavra positiva: “verdadeiramente mana leite e mel, este é o fruto dela” (27). Para então surgir uma prolongada palavra negativa: “O povo, porém, é poderoso, verdadeiras fortalezas, inimigos terríveis e bem estabelecidos” (28).

O discurso negativo se tornou extenso, forte e conclusivo (31). E para atingirem seu objetivo na influência sobre o povo, começaram a infamar a terra. Isto é, iniciaram uma campanha de difamação, a fim de criarem repulsa, aversão a terra (32). O objetivo era o de enfatizar seu ponto de vista, levando o povo a segui-los (33).

Em segundo lugar, a reação à influência (14.1-3, 10). Primeiro a ira, a raiva, a indignação (1a). Depois, o choro (1b). E, finalmente, a murmuração (2). E com a murmuração a sandice, a insensatez. Um povo que viu e que experimentou o poder de Deus se deixou levar pela má influência. Não está em questão o esquecimento ou o ignorar a existência e a presença do Senhor (3). Eles se lembravam do Senhor, mas foram incapazes de associar Sua realidade à necessidade do momento. E, o pior, é que a raiva, o choro e a murmuração que traz consigo a sandice é normalmente recheada com agressividade (10).

Então se percebe a motivação (14.9). Um coração medroso e rebelde. Medroso para com as dificuldades que batem à porta, chegando mesmo à covardia; mas corajoso o suficiente para se rebelar contra o Senhor. Eu diria, em termos pastorais, um coração desejoso de seguir aquilo que vê, ouve e toca; porém, preguiçoso em exercer fé.

Pronto para acreditar no que ouve na TV; no que lê em livros diversos de autores sequer conhecidos ou qualificáveis; no que ouve de toda e qualquer boca ansiosa para falar, para contar algo, mesmo que não seja exatamente a verdade; no que sente, mesmo sabendo que os sentimentos nos traem, ora revelando simpatia ora antipatia, ora conduzindo a expressões como “te amo” e ora conduzindo ao silêncio, à indiferença.

Mas receoso em acreditar no Senhor. Preguiçoso em ler e em acreditar nas Escrituras; mas pronto para plantar comparações que dificultam a aplicação dos princípios de Deus à vida. Preguiçoso em orar, em crer que Deus tem prazer em ouvir a oração sincera, e prazer maior em atendê-la, mesmo que seja com um “não” carinhosamente confortante. Preguiçoso em ser coerente, em ser responsável, em ser trabalhador. Indisposto a servir a família, a igreja, ao irmão; mas disposto a ser servido por todos, principalmente por Deus.

É interessante como o Senhor descreve isto com maestria através de Jeremias: Maldito o homem que é influenciado pelo próprio homem. Bendito o homem que é influenciado pelo Senhor. E de repente Ele afirma: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. O problema está na influência de nosso coração.

Finalmente, temos a conseqüência (14.22-23). Peregrinaram pelo deserto até a morte. Deus tornou a eles aquilo que acreditaram: não herdaram a terra por não acreditarem ser possível. É incrível como o Senhor está sempre a ensinar, provando seu poder. Ironicamente levou o povo a perambular quarenta anos pelo deserto. Cada ano correspondendo a um dia de trabalho dos espias. Além disso, prometeu dar a terra como herança a seus filhos. Os mesmos que os pais disseram que o Senhor mataria se entrassem na terra (30-35).

Em algumas poucas oportunidades disse a jovens (e em especial aos nossos jovens) que muitos passam pela vida sem deixar marcas, até mesmo sem viver. A tendência natural é que aquele que “passa” pela adolescência e juventude continuará a passar até o fim de sua vida, a não ser que Deus aja misericordiosamente. É influenciado a não influenciar, ou a influenciar negativamente, revelando um coração preguiçoso e incrédulo.

Seguindo esta tendência natural, a palavra entra e sai e nada acontece positivamente, nada que revele vida. Por isso temos investido nas crianças e nos adolescentes para que vivam, e ao viverem façam a diferença.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22.6). Investimos, influenciando, para que vivam com qualidade, marcando a vida daqueles com quem conviver.

Investimos para que amem ao Senhor, e confiem nele. Rejeitando a influência negativa que os rodeiam, a começar de dentro de casa.

Investimos para que a conseqüência de suas vidas não seja a morte, a começar por um viver terreno miserável. Mas, sim, para que tenham vida expressada na alegria, na bondade, na perseverança, na conquista daquilo que agrada a Deus.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Qualidade se conquista


“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Provérbios 22.6

O princípio é o de investir. Para se ter um adulto firmemente equilibrado se faz necessário investir em sua educação desde quando criança. Não se espera um milagre diante da inércia ou da indiferença, revelada pela irresponsabilidade do pai, ou do educador.

O mesmo princípio é aplicado à igreja. Em sua carta a Igreja em Éfeso, o apóstolo Paulo escreveu: “E ele mesmo [Cristo] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres [sintetizando: concedeu uns para líderes], com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (4.11-12). Deus capacita a igreja, levantando líderes para que estes aperfeiçoem a todos, a fim de que todos (e cada um) contribuam qualitativamente (aperfeiçoados) para a edificação da comunidade.

É preciso investir! Investir tempo, dinheiro, conteúdo, relacionamentos, para que o salvo em Cristo, pertencente a Sua igreja, seja útil. Não simplesmente para fazer algo, mas para fazer bem, muito bem.

sábado, 17 de novembro de 2007

Por quê?

Pergunta que revela a existência de um enigma, algo não entendido, e que geralmente dói. É preciso que o não-entendido doa para que surja a pergunta. Há muitas coisas que não entendemos, mas elas não doem. Não doendo, a pergunta não surge. Fazemos a pergunta numa tentativa de diminuir a dor, para dar sentido à dor.

“Por que você falou desse jeito?”
“Por que não me ligou?”
“Por que quer terminar o relacionamento?” ...

Quem pergunta “por quê?” deseja uma resposta. Quer uma explicação, pois uma dor explicada é uma dor que dói menos (às vezes). Mas existem situações em que a pergunta surge sem esperança de resposta. E, mesmo que seja dada, de nada valeria.

“Por que morreu?”
“Por que nos deixou, partindo para o nunca mais?”
“Por que não passei?”

Na realidade não se espera uma resposta. O “por quê?” é um grito de protesto dirigido aos céus, um urro que nenhuma resposta explicará ou consolará. Grito que se grita diante da dor sem consolo. Em horas assim não há ateus. Se a cabeça diz que Deus não existe, o coração afirma que tem de existir.

Respostas teológicas surgem em ritmos divergentes, porém, apontando para uma mesma direção, numa tentativa de declaração: a explicação das razões baseadas no relacionamento entre o Deus onipotente (para alguns, transcendente, para outros, imanente, e ainda para alguns, tão um quanto o outro) e o homem, tão carente.

Diante de um “por quê?” a resposta divina é ansiada, porém, o que menos se espera, e é exatamente o que mais ilude e faz doer, é por uma resposta humana travestida como divina. É a postura de consciente ou não servir de porta-voz, ou intérprete do Criador; assumindo, assim, sacerdócio exclusivo. É a loucura de achar que se não houver uma resposta a todas as nossas perguntas, Deus perde seu posto e função de Soberano. É a tentativa ousada de domesticar a Deus, levando-o a concordar e a discordar com toda a vontade do abusado adestrador. Respostas assim causam mais sofrimento, além de orientar mal, guiando seu ouvinte a uma crença insana.

O Deus revelador em muitos momentos em sua Revelação ficou em silêncio, deixando o homem sem resposta para algumas indagações. E, mesmo, revelando somente aquilo que achou interessante, necessário. É mais fácil acreditar na limitação e ignorância do homem do que na impossibilidade do Criador. Isto nos ensina que há resposta para tudo, porém, que nem sempre deve ser revelada. Assim, há espaço para que alguns dos meus “por quê?” fiquem no ar, como desabafo, ou mesmo dúvida. Melhor assim, do que as respostas humanas travestidas de divinas!

De qualquer forma, eu estou aqui, Deus também, além de lá; e continua a me guiar. Respondendo ou não ao meu “por quê?”.

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Salmo 42.11).

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estou cego, pois enxergo


Interessante a experiência do apóstolo Paulo no caminho para Damasco, quando ainda era Saulo. Um dos pontos que mais me desperta a atenção é o de ter Saulo ficado três dias sem enxergar (Atos 9.9). Por que esta necessidade? Creio que Saulo jamais enxergou tanto como neste período em que esteve cego. Um jovem idealista que buscava fogo para queimar (9.1-2); agitado em viagens de perseguição, com sede de extermínio (9.21). Para enxergar a realidade teve de ser sossegado pelo Senhor com um período de reflexão, sem subterfúgios para o entreter. Assim, por três dias, enxergou, avaliou e tomou decisão como nunca antes (Filipenses 3.4-11).

Em um mundo onde imperam a velocidade, a ganância e a abstinência moral, a realidade às vezes só se apresenta nítida àqueles que perdem a visão para o corriqueiro. Enquanto “enxergam” são deficientes quanto ao escutar, e ao reparar; assim como ao toque, e à necessidade alheia. Quando alguém perde a visão passa, por necessidade, a exercitar a atenção; conseqüentemente passa a ser mais gente, usar mais o coração; passa a dar mais valor para a solidariedade. Assim, se perde a visão, mas se recupera a lucidez; se perde a visão, mas se recupera o diálogo, principalmente com o Criador.

Enquanto o homem age como senhor, levado por aquilo que enxerga, atropela a verdade e a real necessidade de todos (sua e a dos que convivem com ele). Para ocorrer mudança, é preciso arrependimento e conversão. Esta só se apresenta quando é cegado para o eu. Então, como “cego” passa a enxergar com os olhos do Senhor. Somente assim, moral e espiritualmente falando, pode com alegria dizer: “estou cego, pois, enfim, enxergo!”. E não se torna alvo da repreensão do Senhor:
“Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. Quem é cego, como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor? Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tem ouvidos abertos, nada ouves.” (Isaías 42.18-20)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Viver é ser criança

A percepção e o entendimento dependem da interpretação particular sobre aquilo que se apresenta ou é apresentado. Por isso a hermenêutica e a exegese são de valores incalculáveis, redundando em lógica coerente ou não. Tudo depende de quem vê, se vê, e como vê.

Temos um maravilhoso, e bíblico, exemplo quanto ao viver. Todos querem chegar à maioridade, isto é, ser adulto na compreensão e no agir; entendendo ser esta a fase e a forma mais bem sucedida de se viver. Os adultos pensam e agem como se as crianças nada soubessem. Por isso as crianças aprendem e os adultos ensinam. No pensamento comum, infância é o ponto de partida; enquanto a condição adulta é o destino, o ponto de chegada.

A exortação bíblica caminha na mesma direção, exortando-nos a agir com maturidade, não sendo mais infantil quanto à instabilidade e indisciplina: “não sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Efésios 4.14). Em textos como estes, o Senhor nos adverte a agirmos equilibradamente quanto àquilo que alcançamos, de maneira que não venhamos a regredir.

No entanto, o Senhor, através de Sua Palavra, traz um contra-ponto: se por um lado devemos progredir em maturidade, agindo como adultos conquistadores; por outro lado, devemos cuidar para manter a vida em sua perspectiva infantil: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19.14). “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18.3). A verdadeira vida, aquela que indica o caminho e o estilo do reino, é mais bem retratada pelo estilo infantil: sem dificuldades para se humilhar, para se arrepender, para assumir dependência; companheirismo; autenticidade; facilidade em perdoar; coragem para arriscar; alegria, revelada pelo prazer em viver. São características imprescindíveis para se viver bem, sem a doente malícia, e a escravidão do “agradar” ao outro, a fim de conquistar o que se deseja.

A poetisa mineira Adélia Prado suplicou: “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...”. Sua doença era a de ser grande, de ser adulta. E este tipo de doença se cura tomando chá de infância, virando criança de novo: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Interessante a afirmação de Jesus a Nicodemos, principalmente após sua advertência: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas cousas?” (João 3.10). Tu és adulto, mestre, e não entendes? Precisa ser como criança, nascer novamente, crescer e viver como criança para então receber e gozar a vida eterna.

Quando os adultos com sua formação e interpretação particular ensinam nos tornamos cientistas, doutores no saber, na arte de dominar o mundo. Quando as crianças ensinam nos tornamos sábios na arte do viver. Elas nos ensinam a nos libertarmos de nós mesmos, dependendo única e exclusivamente do Senhor (Mateus 18.1-5).

Com o crescer aumenta-se o conhecimento, e com este a consciência, multiplicando a responsabilidade. Esta é a conquista adulta a ser preservada. Porém, com o crescer aumenta-se também o pecado, e com este a malícia, a soberba, o medo, e o orgulho. Esta é a parte a ser convertida. E esta conversão se dá em viver como criança. Volte-se ao Senhor e ele o converterá em criança.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007



Falsidade

Mãos que se encontram ritualmente
Selando a cínica legalidade
Manifestada em sorriso deprimente
Assassinando a todos na formalidade

Abraços em absoluta desconexão
Revelam a autodefesa
Daqueles que escondem a emoção
Por medo de se tornar uma presa

Como se libertar da falsidade
Que se agiganta com a idade?

Seguindo o que Cristo revelou
“Ser como uma criança”
Que não tem medo do amor
Nem de aceitar Sua aliança

Wagner Amaral
18/10/2007

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Assentos reservados

Quando vejo no ônibus ou no metrô o aviso: “Assentos reservados”, percebo o quanto estamos distante da realidade divina para os homens. Antes de servir como modelo de organização ou de evolução da raça humana, retrata a falta de educação de nossa sociedade. A existência de tais avisos realça a necessidade da lembrança, revelando que a sociedade se esqueceu dos bons modos.

Anos atrás seria comum, por simples educação, os homens, ou os jovens, cederem seus lugares às mulheres, aos idosos, às grávidas; e isto sem olhares tortos, sem resmungo, mas, ao contrário, com sincero e salutar impulso.

Pois bem, hoje, para vergonha de nossa sociedade, temos de ser lembrados daquilo que deveríamos fazer por educação, até mesmo por prazer. E, piorando a questão, percebemos que nem com a lembrança a educação prevalece. São “sonos” repentinos que começam assim que alguém que merecia o lugar aparece. E sonos que inexplicavelmente desaparecem no momento exato da descida do “indivíduo chato”. Tanta organização para tão pouca educação!

Pois bem, quando olhamos para o viver da igreja de Cristo percebemos a mesma tendência perigosa. Não falo de assentos reservados, pois, pelo menos na igreja, isso ainda funciona. Falo de certas práticas que podem nos tirar do eixo divino. O cantar, o ler as Escrituras, o orar, tudo por pura organização, simplesmente por sermos avisados que é o momento. Sem falar nas “rezas cumprimentais” em meio aos cumprimentos, mais para evitar a crítica e a desconfiança; menos pelo amor, pelo prazer, pela sinceridade da comunhão, pelo desejo de se envolver com o próximo.

Podemos ainda anunciar nossa educação em ceder lugares aos outros, em desfrutar de uma organização estruturada; mas temos de cuidar de nosso coração, para que não enferruje, reservando assentos em nossa alma para a indiferença, para a frieza, para o egoísmo que leva o indivíduo a enxergar somente suas necessidades, ignorando as de todos, ou, pelo menos, da maioria.

Que adiantaria uma igreja hiper-organizada, maestrinamente administrada, porém, secamente amável, friamente amigável e hipocritamente distinta?

Minha oração é que eu, você, e a igreja de Cristo, transmita o amor de Deus e a educação de seus princípios a todos os que vivem nesta sociedade modernamente organizada, mas sentimental e espiritualmente vazia.

“Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.
João 13.35.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Sofrimento

Há sofrimento que faz sentido. É aquele que aceitamos voluntariamente pela alegria que surgirá no fim. As dores de parto são um sofrimento que faz sentido. “O prazer engravida, mas é o sofrimento que faz parir”, diz William Blake.

Há sofrimento que não faz sentido. É aquele que nos acontece sem que o desejemos e que nada de bom nos traz no fim. É sofrimento puro, só sofrimento. As dores de uma indigestão são um sofrimento que não faz sentido. Enjôos e cólicas não são portadores de alegria; mas sim manifestações de males.

O que destrói as pessoas não é o sofrimento. Somos capazes de aceitar os maiores sofrimentos se, ao final, existe a chama da alegria. O que destrói as pessoas é a falta de sentido. Os sofrimentos que fazem sentido são uma expressão da vida. Os sofrimentos que não fazem sentido são uma manifestação da morte.

Quando o apóstolo Paulo afirma que “todas as coisas [incluindo os sofrimentos] cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”, ele apresenta o sentido: “daqueles que são chamados segundo o seu propósito [serem conformes à imagem de seu Filho, v. 29]” (Romanos 8.28). Quando Tiago afirma que “devemos ficar alegres por passarmos por provações [sofrimentos]”, ele também apresenta o sentido: “sabendo que a provação produz perseverança, e a perseverança conduz à perfeição” (Tiago 1.2-4). Assim, o sofrimento não é o fim, mas o meio de se alcançar algo prazeroso.

Por outro lado, Davi apresenta o sofrimento não como meio, mas como resultado quando afirma que alguns “sofrem perturbação por causa de sua ignomínia” (Salmo 40.15). Semelhantemente, o apóstolo Pedro exorta ao cuidado para não sofrermos como resultado de nossas más ações: “Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem” (1 Pedro 4.15).

Quando o sofrimento traz sentido, isto é, aponta para um resultado prazeroso, lidamos com ele com certa disposição e tolerância necessária. Porém, quando o sofrimento não traz sentido, isto é, não aponta para nenhum resultado, sendo ele próprio o resultado de alguma ação ou omissão, simplesmente sofremos.

No entanto, até nessas horas terríveis a graça de Deus se manifesta “salvadora”, pois em meio ao sofrimento puro e concludente, surge um passo além, uma tela final: o aprendizado. Sofrer para aprender a não mais sofrer o resultado de nossos pecados. Isto é criar sentido para o que não tem sentido! Isto é graça!

Está sofrendo? Qual o sentido?

domingo, 23 de setembro de 2007

Retrato


Por que tenho saudade
De você. No retrato,
Ainda que o mais recente?
E por que um simples retrato,
Mais que você, me comove,
Se você mesma está presente?

Este poema de Cassiano Ricardo não brinca, mas sim revela a tragédia no relacionamento; e a crise na consciência de todo ser humano, na racionalização de seus sentimentos. É o poema um lamento.

Quem ama quer estar junto, segurar as mãos, ficar olhando para o rosto. Mas muitos não sentem isso quando estão com o outro. A presença estraga a alegria do amor. O “você” que a pessoa ama não encontra no outro. Encontra em seu retrato. A pessoa olha para o outro do outro lado da mesa e se lembra de seu retrato. “Ah! Como ‘você’, presente, é diferente do ‘você’ em seu retrato! Olho seu retrato e sinto saudades”. O retrato é o lugar da ausência. O tempo do retrato é um passado irrecuperável. Assim, muitos amam a imagem do retrato, morta, embora a pessoa esteja presente. Seu amor mora num passado sem volta. “Sendo assim, não amo você, presente, do outro lado da mesa. Amo o ‘você’ que escorregou do seu rosto, e mora agora no retrato”. Amor infeliz. “Você, que eu posso abraçar, não é o ‘você’ que eu amo”.

Neste sentimento de saudade e frustração se expressa a decepção. A sensação de ter sido enganado, e a constatação de uma expectativa prazerosa, por ser infantil e sonhadora; mas também uma expectativa infeliz, por ser ingênua e irreal. Muitos não encontraram aquilo que realmente esperavam viver. Então, passaram a viver aquilo que não esperavam encontrar.

No entanto, esta crise de vida e morte em muito se autentica pelo desejo egoísta de receber. Pessoas que partem para um relacionamento verdadeiramente interessadas em ter vantagem, em receber o que o outro tem de melhor, e a rejeitar aquilo que não combina com suas aspirações, com seu projeto de vida. Resultado: Falta de sintonia. Claro! Afinal, cada um dos pares tem o mesmo plano. Cada “eu” buscando satisfazer o seu próprio “eu”. Quando o planejamento destes se cruzam, o desejo, a alegria, a pareceria e o contentamento é visível; porém, quando estes tomam caminhos opostos, é visível e terrivelmente experimentado o desgosto, a tristeza, o rancor, a individualidade e o descontentamento. Cada “eu” por si, e ninguém por todos!

Como afirmou o poeta: “O amor é a coisa mais triste quando se desfaz”. É triste por causa do retrato: porque ele faz lembrar uma felicidade que se teve (ou que se sonhou) e que não se tem mais. O retrato é uma sepultura para quem vive aquilo que não esperava encontrar.

Talvez por isso o Senhor revelou que a felicidade é o resultado de uma vida voltada para o “nós”. Você e o outro, juntos, envolvidos por um mesmo sentimento, por um mesmo propósito: Cada um vivendo para o outro, buscando com que o outro seja o mais feliz possível. Neste caso, os projetos sempre se cruzam. E em tornar o outro feliz, não somente você se alegrará por seu contentamento, como será o maior beneficiado, recebendo o fruto do mesmo objetivo.

“Amai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo esteja o amor, que é o vínculo da perfeição” (Colossenses 3.13-14).

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Gaiolas ou Asas

“Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas”. Eis um aforismo de Rubem Alves que me assaltou em uma aplicação para outra área: “Há igrejas que são gaiolas. Há igrejas que são asas”.

Igrejas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros já que a sua essência é o vôo.

Igrejas que são asas não amam pássaros engaiolados. Amam os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado, mas sim encorajado.

A essência de todo homem, além da realidade do pecado, aponta para algo anterior: a imagem do Criador. Que por pertencer à criação permanece, mesmo diante da intrusa predominante. Isto o direciona a possibilidade de voar em direção ao Criador para viver uma realidade além desta, a realidade do Reino de Deus.

Como pássaros feridos pelo medo, pela dúvida, pelas más escolhas, pela cegueira moral e espiritual, o homem não voa. Quando muito arrisca alguns rasantes, enxergando-os como o máximo de todo homem perfeito e bem sucedido. Se acostuma a realidade imposta pela maldita e escravizante natureza, herdada dos demais. E assim caminha (não voa) até seu triste e repetitivo fim.

A igreja, como representante do Criador, tem a tarefa de direcionar este homem ao convívio libertador do Portador de sua imagem. O fim da igreja não está em si mesma, mas sim Naquele que a instituiu e estabeleceu seu propósito e tarefa. Igreja não existe para ser dona de ninguém, muito menos para reescrever ou restabelecer o caminho e a verdade, pois estas já existem como atributos Daquele que é a vida.

Igreja não existe para engaiolar o homem, regando seu medo, suas dúvidas, sua cegueira. Igreja não existe para ser dona de homem algum; muito menos para representá-lo. Igreja existe para lembrar o homem de sua realidade e encorajá-lo a um relacionamento prazeroso com seu Criador; que não o deseja escravizado, mas sim voando sob a sua proteção.

Boa e fiel igreja não é aquela que mantém seus pássaros engaiolados à espera diária de comida e água, como “substitutas do Sustentador”. Fiel e boa igreja é aquela que conduz seus pássaros à vida, encorajando-os a voar, dependendo unicamente do Criador.


“Os que esperam no Senhor renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Isaías 40.31).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Perdão


“Posso perdoar, mas não consigo esquecer é apenas outra maneira de dizer ‘não perdoarei’. O perdão deve ser como uma nota promissória cancelada, rasgada e queimada, de modo que jamais seja apresentada novamente”. Palavras de Henry Beecher, pregador norte-americano.

Os pensamentos de Beecher, mais tarde, foram modificados por outros para expressarem o seguinte: “Se você realmente não esqueceu é porque não perdoou de verdade”.

Não creio que isto reflita a verdade bíblica! Não creio que verdadeiramente nos esquecemos de todas as ofensas que sofremos na vida. Creio que nos lembramos delas. Como é que apagamos da memória um divórcio? Ou um filho no mundo das drogas? Ou um motorista bêbado que atropelou nosso cônjuge? Ou a experiência de ter estado numa prisão? Ou a guerra que trouxe tanta miséria? Ou o dinheiro perdido num investimento por causa do mau conselho alheio? Ou mesmo a humilhação sofrida diante de tantas pessoas no trabalho, na igreja, ou na vizinhança?

Muitas afirmam que Deus se esquece. “Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei” (Jeremias 31.34b) Como pode um Deus eterno esquecer? O conceito que Ele deseja transmitir não é que o acontecimento ou o próprio pecado seja esquecido, mas que o juízo da ofensa foi removido. Em outras palavras: “Não mais sustentarei em juízo o pecado contra eles” (Isaías 53. 4s, 8).

A verdade é que nos lembramos de tudo. Mas podemos escolher reagir às nossas recordações. Podemos deixar que elas se aquietem, e prossigamos na vida, ou que elas nos dominem.

A expressão comum ouvida é: “Não posso perdoar”. Não pode, ou não quer? “Simplesmente não sinto vontade”. Já imaginaram quanto trabalho seria realizado se todos esperassem até sentir vontade de trabalhar? Você realmente já sentiu vontade, desejo, de lavar os pratos, de limpar a garagem? Quando foi a última vez que você sentiu vontade de lavar roupas bem sujas?

O perdão não é, antes de tudo, um sentimento. É uma escolha que vai além dos sentimentos. É um ato da vontade. Alguns dizem: “Se eu perdoar alguém quando não sentir o perdão, serei um hipócrita”. Se você perdoar ainda que não o sinta, você é alguém responsável, não um hipócrita.

O perdão é uma promessa, um compromisso: Não usarei contra ele no futuro. Não falarei com outros sobre esse problema. Não insistirei nisso.O perdão devido a um irmão não depende da bondade desse irmão, mas, antes, repousa na misericórdia e benignidade daquele que oferece o perdão. Nenhum cristão tem o direito de negar o perdão ao seu irmão: “Senhor, até quantas vezes tenho de perdoar a meu irmão? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mateus 18.21-22).

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Amarração

Quem está ligado a quem? E quem influencia a quem?

Interessante, senão cômico (ou talvez estranhamente amarrado), perceber a reação das pessoas à “quase cassação” do presidente do Senado, Renan Calheiros. Se por um lado os discursos apontam para a vitória da democracia, por outro apontam para a vitória da democracia. Ops! Não há erro? Não. Seja positiva ou negativamente este processo revela a verdadeira democracia. Não a dos discursos eticamente politizados; nem a da utópica visão de participação real de todos; mas, a do governo do povo, o que inclui popularização.

Esta é a verdadeira, e cruel, democracia. Quem influencia a quem? O povo é um reflexo de seus governantes ou os governantes são um reflexo do povo? Vejamos:

Quem insistente e broncamente suja as ruas?
Quem constrói clandestinamente, ignorando as recomendações?
Quem polui os rios?
Quem paga a “senhora” propina?
Quem luta diariamente para se dar bem, mesmo que tenha de desrespeitar o próximo?
Quem sonega imposto?
Quem dirige descaradamente na contra-mão?
Quem sonha com conforto, mesmo que à míngua do miserável?

Estas são algumas das atitudes popularizadas que revelam mais a hipocrisia do povo do que a desonestidade de alguns políticos. A impressão que se tem é a de que os políticos aproveitam sua chance para fazer aquilo que a maior parte do povo faria se tivesse a oportunidade de ter tamanha autoridade e contatos.

Há um ditado popular (portanto, democrático) de que o povo tem memória curta. Talvez não seja memória curta, no sentido de que se esquece com extrema facilidade; provavelmente, seja exatamente o oposto: boa memória, incomodada pela consciência que lhe acusa por enxergar nas ações de muitos políticos aquilo que é eticamente inaceitável, porém, que lhe é comum no dia-a-dia.

Há uma inegável amarração entre o povo e seus representantes: estes representam maravilhosamente o povo! Talvez, você afirme: “Mas eu não sou assim!”. Que bom! Mas não terá como negar que o povo o é. Então, você não seria um fiel representante do povo no Senado Federal.

Para que o Senado seja um exemplo vibrante de conduta e decisões que em tudo vise o bem de todos, a começar pelo do próximo, é preciso que ele se liberte da “democracia burra”, popularizada pelo povo brasileiro. É preciso que ele não seja simplesmente representante do povo, mas também seu professor daquilo que se espera da população brasileira.

Oração, e vida à luz dos princípios de Deus não fazem mal a ninguém. Ops, fazem sim. Fazem mal à democracia do povo.