Mas, desisti de reclamar.
Primeiramente, porque de nada adiantaria, afinal o que posso diante do Senhor? Deus como Criador e Sustentador de nossa vida é quem decide os tempos, a começar pelo de nascer e de morrer. Deus é a essência da determinação: "Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo" (Tiago 4.15).
Em segundo lugar, porque não tenho certeza do que seria sua vida a partir daqui. Não sei se ele viveria tão bem como viveu. Não sei se sua vida continuaria sendo uma expressão de alegria, de contentamento, de simpatia, de saúde. Nem mesmo sei se deixaria um testemunho tão bonito, como deixa para todos, hoje. Como nos ensina as Escrituras, não sabemos o amanhã: "Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa" (Tiago 4.14).
Finalmente, porque tenho convicção de que ele está com o Senhor. Uma coisa é alguém partir sem o Senhor, outra, completamente diferente, é partir com o Senhor: "Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos" (Salmo 116.15). Disse a Nice, sua esposa, que assim que ela me informou da morte de seu marido, desliguei o telefone e imaginei o irmão Orlando chegando no céu, e com aquele sorriso largo, dizendo: “É bonito mesmo isso aqui”.
Como diz Paulo: “partir e estar com o Senhor é incomparavelmente melhor”. E, por quê? Porque certamente ele tem uma noção maior do amor de Deus: "Quem nos separará do amor de Cristo? Será a tribulação, ou angústia, ou perseguição, ou fome, ou nudez, ou perigo, ou espada? [...] Porque estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as cousas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura, poderá nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor" (Romanos 8.35-39).
A morte traz por algum tempo separação, traz saudade; porém, não derrota para os que estão em Cristo Jesus, pois foi definitivamente tragada pela vitória de Cristo na cruz, consumada em sua ressurreição (1 Coríntios 15.54-57).
Assim, desisti de reclamar do Senhor, e decidi agradecer pelos anos bem vividos pelo irmão Orlando, pela família bonita que o Senhor formou a partir dele, por sua salvação, pela lembrança de sua alegria contagiante.
Temos um exercício a realizar, em especial a família: Enfatizar as boas lembranças, a vida, a alegria, entendendo que agora mais do que nunca ele vive. E lembrar de seu desejo de ver toda a família, unida, adorando ao Senhor, através da igreja.
Nice, Leandro, Alex, Cassiano, mantenham a alegria que o Senhor os concedeu, tendo-o como exemplo. Mantenham os olhos no Senhor, progridam em sua fé, em sua adoração; sabendo que é assim que vocês o verão novamente. Quando todos estivermos diante do Senhor, numa única e eterna alegria.






Para ser, estar, ou fazer algo o que é essencialmente necessário? Vontade. É certo que há momentos e situações que somos empurrados a uma atividade ou realidade que vai além de nossa disposição imediata. Muitas vezes a vontade surge após certa “obrigação”. Lembro de meus filhos quando diante de algumas sardinhas fritas, reagiram com o tradicional “eca!”. Obriguei-os a provarem, afinal só se sabe se alguma comida é boa quando se prova! Ao passarem pela inquisitiva degustação, a reação final (agora com bagagem, com consistência) foi o interessante “humm! Que delícia”. Quase não comi minhas saborosas sardinhas, felizmente (ou infelizmente) todos os três aprovaram. Daí por diante, comem com vontade.







