quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Nome de que vive, mas está morto

“Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Apocalipse 3.1b). Esta afirmação é feita por Cristo à igreja em Sardes. Nome, posição, obras, tudo o que é esperado de uma igreja. Porém, morta!

A ênfase nesses casos não está na ausência de atividades, ou mesmo, de responsabilidades. Como a carta revela, a Igreja em Sardes tinha obras a apresentar; porém, não íntegras: “não tenho achado íntegras as tuas obras” (v. 2b). Assim, a ênfase recai sobre a motivação; sobre a intenção do coração.

Igrejas a cada dia mais próximas do ativismo estrutural, e mais distantes do prazer da companhia de seu Senhor, e do cuidado para com os seus. Pastores e líderes paulatinamente mais profissionais, e menos espirituais. Crentes perdendo o primeiro amor (assunto da primeira carta, a Éfeso), e jazendo em seus sonhos e projetos de gigantismo pessoal. Possuem obras! Há crescimento numérico. Há organização, variedade, e sensação de “dever” cumprido. Mas não há paz! Não há efervescente prazer no Senhor. Não há vida, revelada na crescente amizade entre os irmãos; na aplicação contínua dos princípios divinos; e, na livre, e doce, manifestação de adoração.

Diante desta realidade há uma tremenda urgência de quebrantamento. “Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer. Lembra-te do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te” (vv. 2a, 3a). É Cristo convocando a um acordar para a realidade, e um conseqüente quebrantar. E isto, por meio de dois passos fundamentais: Primeiramente, arrependimento. Reconhecer o erro. Assumir falência no governo de sua própria vida. E, em segundo lugar, um viver pelos princípios do Senhor. Um lembrar-se do que tem recebido, e guardar, isto é, considerar. Viver, como escreveu Tiago: “Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (1.22). Seria um recomeço. Um abandonar da morte em vida, e um assumir da vida em morte: morte do eu para um viver em Deus.

O nome, a posição assumida e guardada, as obras, tudo tem seu valor; mas, se no coração não houver vida, de nada valem. Se o combustível para tudo não for a humildade no Senhor, o amor por ele, manifestado aos irmãos, e o prazer interminável em viver aquilo que ele doa; haverá morte. Respiração, porém, sem esperança.

Somos exortados a assumir o nome de “Cristo”. Assumir nossa posição nele. Nossas obras serem “nosso culto a ele”. Nada em nós, nada de nós, muito menos para nós. Pois, não devemos morrer com nosso nome, nossa posição, e obras, que nada podem. Mas sim viver em Cristo, por ele e para ele, sempre.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Rotina de crente



Você acorda
Você se arruma
Você sai
Você chega na igreja
Você diz (várias vezes): “Oi, tudo bem?”
Você responde: “Tudo bem!” (mesmo que não esteja)

Você sorri, ou pelo menos tenta
Você ora
Você canta
Você lê a Bíblia
Você ouve pessoas e grupos cantando
Você ouve a mensagem
Você acompanha a aula

Você conversa
Você cumprimenta as pessoas
Você vai embora

Você almoça
Você descansa
Você volta para a igreja
Você passa por todo o processo acima alistado, menos acompanhar a aula

Domingo após domingo
Semana após semana

Tem melhorado seu relacionamento com o Senhor?
Tem melhorado seu relacionamento com a família?
Tem melhorado seu relacionamento com os irmãos?

Caso contrário,
Você continuará acordando
Você continuará se arrumando
Saindo
(....)
E para quê?

Que o senhor enriqueça sua vida!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Batidas...


Batidas. O tempo se mede com batidas. Seja com as de um relógio, ou do coração. Os gregos tinham duas palavras diferentes para indicar esses dois tempos. Ao tempo que se mede com as batidas do relógio - embora não tivessem relógios como os nossos - davam o nome de chronos. Daí a palavra “cronômetro”.

As batidas do relógio insistem numa absoluta indiferença à vida. Vai dividindo o tempo em pedaços iguais: horas, minutos, segundos. Não importa se há riso ou choro, vida ou morte; suas batidas são frias, e duras de se agüentar.

Há, entretanto, o tempo que se mede com as batidas do coração. A estas batidas falta a precisão dos cronômetros, pois dançam ao ritmo da vida (e da morte). Batidas tranqüilas, e de repente agitadas. Tocadas pelas emoções, dá saltos. Tropeça. Retorna à rotina. A esse tempo os gregos davam o nome de kairós.

Chronos é um tempo sem surpresas. Kairós, ao contrário, vive de surpresas. Nunca se sabe quando sua música será lenta, ou animada; calma ou estressada. O relógio nos diz com precisão o número de dias, horas e segundos decorridos desde o nosso nascimento. Porém, o nosso coração nada sabe sobre esses números. Quando me lembro de algumas experiências, é como se as tivesse vivido ontem.

Nossos filhos crescem (os meus são adolescentes). De vez em quando, nos damos conta disto, e mal acreditamos. Quando somos guiados por chronos lembramo-nos de que estamos envelhecendo. Porém, quando guiados por kairós percebemos que estamos vivendo.

Quem sabe somar e multiplicar tem a chave para entender as medições de chronos. Porém, esta chave não funciona para o coração, pois kairós mede a vida pelas pulsações das emoções. Kairós mede a vida por saudades. Toda saudade é uma espécie de velhice. Velhice não se mede pelos números de chronos; ela se mede por saudade. Saudade é o corpo brigando com o chronos, não suportando perder o que se ama. É como a criança e o colo que o tempo levou, mas que não gostaríamos de que tivessem sido levados! E isto nada tem a ver com horas, minutos, e segundos; mas, sim com emoções experimentadas por kairós.

Heráclito, filósofo grego, afirmou que o “tempo é criança brincando, jogando”. Crianças odeiam chronos, odeiam as ordens que vêm dos relógios. As crianças não usam relógios para marcar tempo; usam relógios como brinquedo; usam prazer, emoção, usam seus próprios corpos. Criança é kairós brincando com chronos, como se ele fosse bolhas de sabão...

Salomão afirmou em Eclesiastes 3.1-15, que há tempo para todo propósito debaixo do céu. E que o Senhor o determinou para nossa experiência. A começar por tempo de nascer e tempo de morrer. Porém, como resultado de sua experiência de vida afirmou em todo o livro que enquanto há fôlego é tempo de viver. O que inclui alegrias e tristezas, vitórias e derrotas, entre tantas outras coisas. Mas, sempre é tempo de viver, pois a morte chega quando não temos prazer em nossos dias. Quando se escurece o sol, a lua e as estrelas. Quando tudo se transforma em medo e dor. Em dias assim, as batidas que imperam são as de chronos, aguardando somente a partida final. O romper do fio de prata; o despedaçar do copo de ouro; o voltar do pó a terra, e do espírito a Deus, que o deu.

A cada fim de ano chronos faz as somas e me diz que fiquei mais velho. Então, kairós vem em meu socorro para espantar a tristeza. Vem como criança, brincando com chronos. Lembrando-me de que mais valioso do que envelhecer, é viver. Ter um relacionamento de amor com a vida. E, quando sou levado pelas batidas de kairós, acontece uma estranha metamorfose: deixo de ser velho. Sou criança de novo..., experimentando vida abundante.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Escutatória

Há muitos anunciados cursos de oratória. Nunca vi um anunciado curso de escutatória. Todos querem aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas tenho receio de que ninguém se matricule.

Falar é fácil; mesmo quando não se seguem as regras da retórica. Escutar é complicado e sutil. É incrível como não agüentamos ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que temos a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que temos a dizer, que é muito melhor. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo somos os mais bonitos... Parafraseando Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”.

É preciso tempo para entender o que o outro falou. Quando se fala logo a seguir são duas as possibilidades. Primeira: Ficar em silêncio só por delicadeza. Na verdade, não se ouve o que outro fala. Enquanto o outro fala se pensa nas coisas que falará quando o outro terminar sua (tola) fala. Fala como se o outro não tivesse falado. Segunda: Ouvir o que o outro falou. Mas reagir como que o que seria novidade para quem fala, não o fosse para quem escuta. Tanto que nem se precisa pensar sobre o que se falou. Em ambos os casos se chama o outro de tolo. O que é pior que um tapa. Ao contrário, o longo silêncio quer dizer: “Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou”.

Há uma música que diz: “Eu te busco, te procuro, ó Deus. No silêncio tu estás...”. Apesar de não ser tocada e cantada em “silêncio”, esta mensagem tem muito a ensinar. Nas Escrituras aprendemos que a natureza revela seu Criador, em silêncio: “Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz” (Salmo 19.3-4). É maravilhoso como autenticamos isto quando em silêncio, longe do barulho da vida cotidiana, contemplando a criação.

Aprendemos que é possível se alimentar de silêncio. Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio de dentro. Ausência de pensamentos. E aí, quando se faz o silêncio de dentro, se começa a ouvir coisas que não ouvia. A música acontece no silêncio. É preciso que todos os ruídos cessem. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Talvez seja essa a essência da experiência religiosa - quando ficamos mudos, sem fala. Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia. Ouvimos o Senhor: “Bom é aguardar a salvação do Senhor, e isso, em silêncio” (Lamentações 3.26). Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro se junta num contraponto com nossa beleza. Comunhão só é possível quando boca, ouvidos e coração partilham de um mesmo momento. Mas, enquanto existirem somente bocas.....
(Motivado por texto de Rubem Alves em "O amor que acende a lua")

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Cresçamos!

Os da direita embicam cada vez mais para seu lado. Os da esquerda, da mesma maneira para o lado oposto. Os do centro (existem?) não sabem para onde ir. Como unir este povo tão dividido por suas convicções?

“Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Efésios 4.15).

Gosto deste texto! Aprecio a revelação do Senhor por meio da visão, e sabedoria de Paulo. Temos muito a aprender com este texto de simples entendimento, mas de profunda aplicação para o desenvolvimento de nosso movimento, buscando a edificação no Senhor.

Primeiro, “seguindo a verdade”. Seguir a verdade, que é o próprio Cristo, é passo essencial para todo o que é seu discípulo. Não é qualquer verdade, nem tão pouco “a nossa verdade”, mas Cristo, como o apóstolo apresenta nos versículos anteriores.

Segundo, “seguindo a verdade em amor”. Não é somente a assimilação do que compõe a verdade, o que em parte vemos sistematicamente através da doutrina, mas a incorporação da verdade, em amor. Aliás, esta verdade, que é Cristo, em sua essência não existe sem amor. Esta verdade aponta para o amor, caminha pelo amor, suporta por amor, é o amor.

Terceiro, “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo”. Uma vida na verdade, e através da verdade, que é Cristo, alicerçada por Seu amor, tem como única conseqüência o crescimento, e como o apóstolo afirma: em tudo. Crescimento espiritual, refletido através da maturidade, da serenidade nas resoluções tomadas. Crescimento moral, observado por atitudes eticamente equilibradas, e em nada conflitantes com a verdade. Crescimento social, visível nos relacionamentos saudáveis, a começar pela liderança, pelos pastores, sendo reproduzido nos membros, criando amizade, parceria, desenvolvimento para a glória do Senhor. Crescimento material, resultado da unidade entre as igrejas que compõem o movimento. Enfim, crescimento em tudo!

Quarto, “seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo”. Todo o processo, bem estruturado, bem amarrado, seguindo os princípios daquele que é Senhor da Igreja. O que nos cabe é o desejo de ser-lhe fiel, como nos apresenta o apóstolo na continuação do texto: “todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (v. 16).

Priorizamos a fidelidade ao Senhor por meio de seus princípios. Mas para que esta fidelidade seja completada, faz-se necessário transformá-la em algo visível, palpável, experimentável nos relacionamentos, nas parcerias de trabalho, na serenidade nas decisões.

Sonhamos com um povo batista regular maduro, modelo na verdade, no amor, no crescimento, enfim no relacionamento com o Senhor, observado no relacionamento entre nós.
Cresçamos, unidos no Senhor!

sábado, 14 de junho de 2008

Qual é a sua identidade?

Pertencemos a um mesmo movimento (batista regular). A mesma associação (seja estadual ou nacional). Temos o mesmo objetivo (adorar ao Senhor, contribuindo com a evangelização e a edificação para o crescimento de seu Reino). Usamos todos os mesmos princípios (através das Escrituras). Caminhamos na mesma estrada teológica (conservadora, isto é, não liberal, nem neo-ortodoxa). Além disso, pertencemos à mesma Ordem de Pastores; e nos cumprimentamos, com largos sorrisos, nos mesmos prédios, onde freqüentamos as mesmas reuniões, conferências, etc.

Por que não somos verdadeiros irmãos; trabalhando juntos, com autenticidade, verdade e alegria para o Senhor? Por que não servimos de modelo para os membros de nossas igrejas, revelando a harmonia da Igreja de Cristo, através de sua liderança?

Creio que o problema está na questão de nossa identidade!

Qual é a sua identidade? Eu sou batista regular, o que implica em:
Ser bíblico, assumindo os princípios do Senhor como diretriz para a vida.
Ser calvinista, crendo na graça de Deus.
Ser conservador, mantendo a linha teológica ortodoxa.
Ser dispensacionalista, fazendo distinção entre Israel e Igreja.
Ser pregador das Escrituras, enfatizando a pregação expositiva.

Historicamente, essa descrição identifica um batista regular. Você consegue enxergar seu retrato dentro desta moldura?

Como disse, creio que a dificuldade está em nossa identidade; pois apesar de pertencemos ao mesmo movimento, e freqüentarmos as mesmas reuniões, não compartilhamos das mesmas convicções. Diante disto o que fazer?

Alguns pregam a harmonia, mesmo que ilusória (ou seria hipócrita?): manter as aparências; manter a superficialidade ministerial, e comportamental. Daí as associações que nada produzem, ou edificam; assim como os seminários completamente sem diálogo, formando ministros com pesos e medidas distintas, aumentando a diferença na identidade do grupo.

Outros pregam a cisão (ou seria confusão?): brigar; separar, mantendo relações com quem pensa e age como nós. Daí as discriminações, as perseguições, e as programações bairristas. O resultado é o isolamento de muitos, e a aproximação de poucos, que pouco, nada, ou quase nada, ajuda.

O que fazer?

Temos, por exemplo, cinco seminários batistas regulares no Brasil. Após tantos anos de história, estes não possuem sequer diálogo. Chega a ser intrigante observar que mesmo quando presentes a uma associação nacional, sequer sentam para um bate-papo de dez minutos. Por quê? Será por questão de identidade, ou outras razões? E pensar que eles poderiam tanto ajudar um ao outro! Mas, ao contrário, parece que a política é a do esvaziamento. Já pensou se, pelo menos, uma vez em cada dois anos, seus dirigentes se encontrassem para um diálogo? Para trocarem informações, experiências, buscando aperfeiçoar o cumprimento de seu dever? No mínimo, serviria de exemplo para seus alunos, mostrando o esforço pela unidade em Cristo.

A associação nacional vem por aí! Será que teremos alguma novidade realmente edificante?
Ah! Qual é mesmo a sua identidade?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Sofrimento que traduz alegria (parte 2)

Filhos transformados em órfãos; cônjuges em viúvos; e pais assaltados pela indesejável surpresa de perderem seus filhos como que fora de tempo. São situações que traduzem “dor, sofrimento”. O que pensar e dizer aos que sofrem?

Há algumas consideráveis palavras a serem ditas: A mais comum é a lembrança de que a vida não termina aqui. Isto é, a morte não é o fim, mas o começo de uma nova realidade; não qualquer uma, mas a realidade ideal, em meio a um relacionamento perfeito com Deus. Esta consideração se apresenta atraente para aqueles que são do Senhor. E para os que não são (ou, não foram)? Geralmente, a lembrança desta realidade surge; porém, prevalece o silêncio como melhor maneira de não constranger, ou de não aumentar o sofrimento.

Há outra palavra comum que é aplicável a todos, e, por isso, repetida, que é a lembrança de que Deus é soberano. “Deus sabe o que faz!”, é a afirmação preferida do povo. Seja por absoluta, e reflexiva, convicção; ou por simplesmente não saber o que dizer; se repete a tese de que Deus é o responsável pela dor, e isto, baseado em seu total conhecimento, que não lhe permite errar; mas, lhe permite imprimir sofrimento.

Há ainda uma respeitável consideração teológica que nos empurra a uma reação positiva. A lembrança de que muito da dor que sofremos na perda se dá por egoísmo. Isto é, sabemos, como Paulo afirmou, que melhor é partir e estar com o Senhor do que ficar. O que traz a implicação de que aquele que partiu no Senhor, está numa situação infinitamente superior à que estaria se continuasse entre os que ficaram. Por que, então, sofremos? Por que lamentamos? Porque lidamos com a “nossa” perda. Lidamos com o “nosso” sentimento. Conseqüentemente, choramos por nós, e não pelo que partiu. Choramos pela dor que sentimos, pela ausência, pela saudade.

Isto reflete precisamente a alegria. Sim! Pois, quando sentimos tristeza pela saudade de alguém é sinal de que vivemos momentos que valeram a pena. Saboreamos momentos de satisfação, de regozijo; momentos que não gostaríamos de experimentar o término. Ninguém sente saudades de alguém que não conheceu. Ninguém sofre a perda de alguém indesejável. Sofremos pelas marcas deixadas por aqueles que trouxeram alegria.

Neste sentido, o sofrimento traduz alegria. É exatamente por isso que alguns têm medo de se relacionar com profundidade, pois temem sofrer a perda, ou a ferida decepcionante, causada por alguém que ama. A verdade é que quando lidamos com o sofrimento por alguém, é porque experimentamos (direta ou indiretamente) a alegria com esta pessoa. Isto, talvez, torne o sofrimento diferente aos nossos olhos. Uma boa maneira de lidar com o sofrimento é não vê-lo puramente, isto é, não considerar somente o sofrimento e sua dor. Devemos considerar a causa do sofrimento, a motivação da dor na perda. E isto nos conduzirá ao passado; nos guiará a momentos marcantemente satisfatórios. Se, pode aumentar a consideração da perda? Sim, mas pelo menos balanceará o sofrimento e a alegria. E confirmará que não há sofrimento de perda para casos e pessoas em que não houveram alegria.

Vale a pena, então, buscar a alegria com o próximo, já que corro o risco de sofrer? Este é o questionamento de alguns. Eu respondo com outro questionamento: Vale a pena não viver?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sofrimento que traduz alegria (parte 1)

Por que temos de sofrer? A resposta de que é conseqüência do pecado é suficiente, teologicamente falando; mas, será que Deus é unicamente sistemático, relacionando-se em conformidade com suas considerações dogmáticas para fazer com que o homem entenda e reaja teologicamente? Creio que não.

Quando olhamos para as Escrituras observamos um Deus bem mais voltado para seus relacionamentos do que para suas “aulas” de teologia. Ao contrário do que pensam e determinam alguns, o entendimento teológico é conseqüência do relacionamento de Deus com sua criação. Não é o entendimento teológico que determina o que Deus é, sente e faz; ao contrário, este entendimento é a tentativa humana de moldurar a Deus; não para limitá-lo, o que em muito acontece, mas para torná-lo acessível à mente limitada do homem.

Teologizar é tarefa árdua, pois lida com algumas limitações, que geram tendências e vícios. As limitações existem pela simples, porém profunda, compreensão de que a limitadíssima criatura precisa pensar e compreender o ilimitado Criador. É tarefa desproporcional para o mortal pensar no Imortal, colocar em moldes finitos a eternidade. O tempo e, principalmente, a ausência deste, limita a abrangência e as considerações, levando o discurso a ser em muito subjetivo, isto é, sentido, porém impossível de ser descrito absolutamente.

As tendências, por sua vez, existem no conformar o Criador à grade particular de cada pessoa, de cada movimento (ou linha) teológico. Cada movimento estabelece seus “sim” e “não”, seus “prós” e “contra” no entendimento de Deus e de sua vontade, conforme a herança de sua formação, enquadrando o Criador dentro de sua cosmovisão. Muitos se acomodam a esta realidade por perceber que todos são indiscutivelmente passíveis de tal tendência. Muitos, sequer conseguem teologizar, pois gastam todo seu tempo e energia no difícil exercício da busca de uma maior honestidade hermenêutica.

Porém, a limitação observada nesta tendência torna-se um vício quando o “pesquisador” assume o lugar do “pesquisado”, fazendo do laboratório toda a expressão da realidade do mundo pesquisado. Resumindo, quando o teólogo torna-se “deus”, invertendo assim a ordem revelada: ao invés de sermos criados à imagem e semelhança do Criador, o pesquisador torna Deus à imagem e semelhança da criatura, o homem. Isto se dá quando o teólogo estabelece o que Deus é, sente e faz; dando às suas próprias observações (interpretações) um valor absoluto com status divino. Esta tendência de fazer Deus gostar e falar aquilo que gostamos, ou de não gostar daquilo que não gostamos, engaiolando o Criador como um pássaro que come e bebe o que damos; empobrece a arte da teologia, assim como seu resultado.

Assim, na arte de teologizar, um dos primeiros exercícios do bom pesquisador é o de questionar suas “descobertas”: é o Criador ou sou eu quem estabelece isso? Para muitos, o exercício não passa deste ponto; porém, para os que o ultrapassa, conhecer, entender e viver o Senhor torna-se a mais bela e responsável tarefa a ser experimentada. Bela pela expressão possível do Senhor e pela perplexidade das descobertas; responsável pela seriedade no viver e comunicar aquilo que, por graça, tenha chegado até nós.
Com estas considerações voltemos ao início do texto: Por que temos de sofrer? Se permitido, continuaremos no próximo texto a ser postado.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

A Beleza da Igreja

Há duas verdades bíblicas quanto a Igreja, que quero destacar. A primeira é que sua beleza não está no prédio grande, bem estruturado, ... Sua beleza não está no vestuário de seus membros... Sua beleza também não se encontra no sorriso ou na seriedade... A beleza da igreja está em seu Deus!

“Edificarei a minha igreja” - Nossa existência deve-se a Ele!
“Ele é a cabeça da igreja” - Nosso viver é determinado por Ele!

É, inclusive, esta realidade que traz seriedade ao ministério, revelando o peso da responsabilidade que temos diante do Senhor: “Atendei por vós e por todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos para pastoreardes a Igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20.28).

A fonte de nossa beleza é Deus com toda a Sua perfeição, Sua grandeza imensurável, a eternidade, onipotência, onisciência, onipresença, majestade e soberania. O que torna a igreja diferente é o fato dela ser de Deus, o que implica em uma conduta vívida de moralidade, onde se destaca a santidade, a justiça e o amor. É Deus operando em nós e através de nós: “Ora àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para o todo o sempre” (Efésios 3.20-21).

Assim, somos, como igreja, belos, quando refletimos a glória de Deus, pois é para isso que fomos chamados: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2.9).

A segunda verdade é que a beleza da igreja é mais bem revelada nos relacionamentos. É interessante como todos os textos que tratam da sabedoria de Deus, da maturidade que dEle procede, apontam para a necessidade de relacionamentos saudáveis (Tiago 3.13-18). A única forma de manifestar a beleza da igreja, que é o Senhor, refletindo seu caráter santo, justo e amoroso, é através dos relacionamentos.

Revelar aquilo que não é comum aos homens, aquilo que aos olhos desta sociedade egoísta, invejosa, e por isso corrupta, parece utopia, sonho impossível de ser realizado: o amor, a misericórdia, a bondade, o perdão, o viver em comunidade, em família, buscando o bem de todos, buscando a edificação, isto é, o crescimento por meio da maturidade, do discernimento, da visão de Deus em nós, e por meio de nós (Colossenses 3.12-17).
Não foi por acaso que o Senhor Jesus Cristo afirmou que seríamos conhecidos como seus discípulos se amássemos uns aos outros: “Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei, que também ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (João 13.34-35).

quinta-feira, 20 de março de 2008

Deus


Eterno, então Imane
Ascende ao pecado
Distante da vida em pane
Transcende Imaculado

Terno, então acessível
Abraça o pecador
Desfaz o impossível
Como imanente Redentor

Como abarcar transcendência
E imanência numa só essência?

A Ordem que sustenta o universo
Traduz inteligência extra-humana
A paz do convertido perverso
Induz à interferência sobre-humana

Pr. Wagner Amaral
20/03/2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

Adoração "musical"


Criar ambiente e fixar conteúdo. Independentemente das diversificadas opiniões, estes objetivos têm prevalecido na história da música, especialmente a partir do ano 1500; deixando para trás a “música gótica”, em que compor e interpretar era tarefa de todo músico, através de improvisações. Desde que a tarefa de compor e de interpretar se tornou distinta, os objetivos de criar ambiente e fixar conteúdo passaram a conviver ora em acirrada disputa ora em harmoniosa e bela parceria. Evidentemente tal instabilidade se deu mais pela interpretação e definição de cada músico do que pelas possibilidades da própria arte musical.

Quando transportamos estes objetivos para a música na igreja, pensando, exclusivamente, em adoração; devemos considerar que tipo de ambiente é desejável? Uma resposta rápida e concisa seria: Ambiente de adoração. Este, seria, provavelmente, melhor compreendido como ambiente de louvor e de gratidão que nos leve a pensar em Deus; ambiente de alegria que nos ligue a Ele; ambiente de reflexão que nos ligue a Sua Palavra; ambiente de dedicação que nos leve ou ao arrependimento, ou ao desejo de servir; e ambiente de amor que produza comunhão entre os que são do Senhor.

Diante deste quadro a sucessiva pergunta seria: Que tipo de música cria estes ambientes? Novamente, uma resposta simplória (normalmente dada) seria: Música que traduza adoração. Porém, a pergunta persiste: que tipo de música cria os ambientes desejados para a adoração?

Quanto à letra? Uma breve resposta seria a de que seu conteúdo deve concordar com a Revelação de Deus (Salmo 19.7ss). Uma letra que apresente, musicalmente, a perfeição que restaura a alma; que dá sabedoria; que alegra o coração; que conduza ao discernimento e a irrepreensibilidade. Que seja agradável ao Senhor: “As palavras dos meus lábios e o meditar do meu coração sejam agradáveis na tua presença, Senhor, rocha minha e redentor meu!” (v.14).

Quanto à melodia? Que seja agradável, coerente, e significativa (Salmo 137.1-4). [Melodia é uma sucessão dos sons musicais combinados. É a
voz principal, que dá sentido a uma composição musical. Encontra apoio na harmonia, que é a execução de sons simultâneos dos demais instrumentos ou vozes quando se trata de música coral
] Os israelitas questionavam a possibilidade de melodiar as canções de adoração em ambiente conflitante: “Como haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha?” (v.4). A melodia deve convergir o ambiente de adoração a seu conteúdo, traduzindo uma coerência significativa ao adorador e ao Adorado.

Quanto à harmonia? O óbvio! Que seja harmônica, isto é, perceptível, ordeira, e bela (Salmo 19.1-6). [Harmonia é o campo que estuda as relações de encadeamento dos sons simultâneos (
acordes). A harmonia é um conceito clássico que se relaciona às idéias de beleza, proporção e ordem
] A música na adoração deve traduzir e transmitir os atributos do Senhor, revelando Sua beleza, Seu controle e sensibilidade; à semelhança da descrição de Davi no Salmo 19, quando mostra que a criação proclama a glória de Deus, através destas características: “por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo” (v.4).

Quanto ao ritmo? Que estimule os adoradores a uma reação que propicie o ambiente esperado (Salmo 150). [Ritmo designa aquilo que flui, que se move, movimento regulado. O ritmo está inserido em tudo na nossa vida. Ritmo é o
tempo que demora a repetir-se um qualquer fenômeno repetitivo, mas a palavra é normalmente usada para falar do ritmo quando associado à música, à dança, ou a parte da poesia, onde designa a variação (explícita ou implícita) da duração de sons
com o tempo] Observamos tipos de ambiente distintos na adoração, como ambiente de alegria ou de contrição. Assim como na comunicação (inclusive na arte da homilia) usamos ritmos distintos no falar e no gesticular para expressar da melhor maneira possível a mensagem de Deus, atraindo a atenção do ouvinte, conduzindo-o a uma reflexão, aceitação e prática do exposto; assim, também, almejamos com o ritmo na música. O Salmo 150 nos direciona a variados ritmos, a partir dos instrumentos alistados: "Louvai-o ao som da trombeta; saltério e harpa; adufes e danças; instrumentos de cordas e flautas; címbalos sonoros; címbalos retumbantes".
_____________________________________________
Enfim, música que traduza adoração. Mantendo o foco no Adorado, mas, estimulando o adorador a uma adoração verdadeiramente espiritual: “Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as cousas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Romanos 11.36).

sexta-feira, 7 de março de 2008

O valor da música


A música é um aspecto da adoração. É interessante notar que nas diversificadas visões dos personagens bíblicos acerca da presença de Deus, ou da habitação de Deus, há algo em comum: a música!

“Então vi no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro como tendo sido morto. [...] E entoavam um novo cântico.” (Apocalipse 5.6-14).

Os santos cantavam a respeito de Cristo, a respeito da redenção mediante o sangue; enfatizando os propósitos soberanos de Deus em atrair para Si mesmo um povo, para que sejam reis e sacerdotes.

A música é parte integrante da adoração. Considerando em sentido bem específico sua função, notamos que ela possui dois objetivos, que são (ou podem ser) tanto distintos quanto congruentes. E estes têm se confirmado na história humana: (1) Criar ambiente, e (2) fixar conteúdo. Durante grande período na história eclesiástica, o canto gregoriano serviu para propiciar um ambiente espiritual, facilitando a reflexão. A partir da Reforma protestante, a música congregacional é implementada por Lutero, objetivando ensinar o conteúdo das Escrituras. As duas realidades, modificadamente, perduraram até os tempos pós-modernos.

Estas realidades estiveram presentes na rotina de Israel, e uma das provas disto são os salmos, verdadeira herança dos sentimentos e da aprendizagem do povo. Como exemplo, temos textos já considerados:

1. (2 Samuel 6) “Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor”. A adoração de Davi manifestava suas emoções, revelando o ambiente de alegria; porém, não trazia naquele momento nenhum conteúdo teológico específico (14-15, 21).

Alguns poderiam argumentar que junto ao ambiente musical, Davi ensinou ao povo sacrificando ao Senhor, fixando assim ensinamento (13, 17). Os sacrifícios faziam parte da solenidade, como a leitura e a oração fazem parte do culto; no entanto, conteúdo específico, por parte da música, não está relatado.

Todo o povo, guiado por Davi cantavam ao Senhor: “Davi e todo o Israel alegravam-se perante Deus, com todo o seu empenho; em cânticos” (1 Crônicas 13.8). Não sabemos o conteúdo exato destes cânticos, mas, evidentemente, manifestavam sua adoração. Porém, é claro neste contexto que o ambiente prevalecia, sendo declarado pela alegria e pelo empenho de todo povo.

2. (1 Crônicas 16.4-5, 23-25; 25.1; 2 Samuel 23.1-2) “Davi, juntamente com os chefes do serviço, separou para o ministério os filhos de Asafe, para profetizarem através da música”. O objetivo de proclamar a vontade do Senhor para o povo; de ensinar; de relembrar quem o Senhor é e o que Ele espera de seu povo. Neste caso é imperativo que o conteúdo da adoração cantada (hinos, hinetos) sejam doutrinariamente corretos. Expressem, com exatidão, as palavras do Senhor.

Diante desta realidade múltipla e ao mesmo tempo integrada, entendemos o porque do esforço de Davi, como rei, em estabelecer uma estrutura toda especial para a adoração através da música. Assim, como entendemos também o porque da exortação de Paulo a igreja quanto ao equilíbrio no cultuar: “Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com a mente; cantarei com o espírito, mas também cantarei com a mente.” (1 Coríntios 14.15). Uma consideração da realidade múltipla da música, em seus objetivos. Mas, também, da realidade integrada, mostrando a necessidade do equilíbrio entre a razão e o fervor, entre a consciência e as emoções.
Poucas coisas ressaltam a beleza da adoração como o faz a música. Deus nos deu cânticos! O livro mais extenso das Escrituras é o livro dos Salmos. A música não é um elemento extra que acrescentamos ao culto, não é preenchimento de espaço. Ela é vital para nossa adoração: “Bom é render graças ao Senhor e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo” (Salmo 92.1).

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O silêncio revelador de Deus

“Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniqüidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita. Por esta causa, a lei se afrouxa, e a justiça nunca se manifesta, porque o perverso cerca o justo, a justiça é torcida.” (Habacuque 1.2-4)

O profeta Habacuque revela sua angústia por duas razões: Primeiramente, a que ocupa a maior parte de sua fala: a injustiça é manifestada em todos os cantos, em todos os momentos, a todas as pessoas. Em segundo lugar, aquilo que o conduz a angústia: o silêncio de Deus. A aparente passividade, ou mesmo omissão de Deus diante de terrível quadro.

Para o profeta este silêncio afrouxa a lei, causando nos homens uma certa arrogância em agir como bem entender, crendo que não será alvo de correção. Mas, acima desta conseqüência, o maior incômodo é o silêncio em si. Como profeta, portanto, porta-voz de Deus ao povo, o silêncio divino o silenciava também; afinal, suas palavras ao povo eram palavras originadas de Deus. O pecado aumenta, a injustiça se alastra, o necessitado olha para o profeta, aguardando direcionamento, e juízo aos opressores, e .... nada! Deus nada diz. Nenhum sinal, nenhum juízo, nenhuma esperança, enfim, nenhuma manifestação.

Dói! Angustia! Queima por dentro e revolta por fora. Mas, por incrível que pareça, Deus, em muitas situações, revela seus sentimentos e vontade com seu silêncio, mais do que com palavras. Temos exemplos nas Escrituras, deste silencio revelador de Deus:

1. Revelando rejeição: “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Isaías 1.15).

2. Revelando disciplina, como no caso do silêncio definitivo de Deus para com Saul (1 Samuel 15).

3. Revelando amor sacrificial: “Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Isaías 53.7).

4. Revelando concordância, como no caso de Jesus diante do sinédrio (Mateus 26.60-63), e diante de Pilatos (Mateus 27.11ss).

Em silêncio o Senhor revelou, poderosamente, sua vontade. Assim, quando em silêncio, não necessariamente, Deus está passivo, omisso, ou mesmo indiferente. O seu silêncio exige de nós, uma voltar-se a ele. Exige uma maior atenção, um mais qualificado tempo. Quando em silêncio, Deus nos coloca para exercitar a atenção, a paciência, a perseverança, a dependência. Deus desperta e fortalece a esperança. Em silêncio, Deus exige mais de nós. Ele nos quebra, e nos angustia; para, então, nos fortalecer; tornando-nos mais resistentes e observadores.

Ame a Deus em seu silêncio!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Reino está aqui

O que é a vida cristã para você?
Em uma palavra, o que Jesus Cristo trouxe para você?
(se for salvação) O que significa?

Creio que a resposta a todas estas perguntas está na expressão: O REINO DE DEUS ESTÁ AQUI. Expressão que João Batista ensinava: o reino está próximo; e Jesus afirmou: o reino é chegado. E por incrível que pareça aos nossos ouvidos pós-modernos isto muda absolutamente tudo. E a proposta não é simplesmente de uma mudança particular, mas sim mundial.

Um escritor relatou a pergunta de uma repórter a um pastor americano por que tantos cristãos de seu país apoiavam firmemente a guerra promovida contra o Iraque se estava claramente contra os ensinamentos de Jesus? “Jesus falou de paz e de reconciliação, de se voltar a outra face, andar a segunda milha, etc..., como conciliar isso com a guerra?”. O pastor respondeu: “Os ensinamentos de Jesus são pessoais, nada tem a ver com política, ou mesmo com política exterior”.

A mensagem de Jesus é pessoal, mas não privativa. Ela tem tudo a ver com questões públicas de um modo geral, e com questões políticas em particular. Jesus chamou sua mensagem de BOAS NOVAS, termo que em si é público. Os imperadores de seu tempo sempre que conquistavam uma vitória importante enviavam mensageiros para anunciar as boas novas. César Augusto, por exemplo, que governou o império de 27 a.C. a 14 d.C., imprimiu suas boas novas na inscrição encontrada em Mira, na Lícia: Divino Augusto César, filho de deus, imperador da terra e do mar, o benfeitor e salvador de todo mundo, lhes trouxe a paz.

Jesus, em seu tempo, dizer que o reino de Deus (um novo reino) era chegado, que estava disponível para ser agarrado, ali, naquele instante, era um escândalo. E a forma como esta mensagem, ou melhor, este reino, foi anunciado, isto é, o meio de comunicação usado foi algo espetacular, que funcionou ali, durante a história nestes milhares de anos, e continua funcionando aqui, hoje. Jesus usou duas ferramentas incríveis: Uma, a comunicação oculta e intrigante das parábolas. Outra, o poder transformador dos milagres.

Assim, a vida espiritual tem tudo a ver com política, esporte, roupa, comida, dinheiro, estudos, profissão, violência, fome, guerras, terrorismo, etc.

(continuarei)
[baseado no livro: A Mensagem secreta de Jesus]

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Maldita influência

Números 13.25ss: “Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós”.

Toda influência é influenciada por uma reação a algo superior.

Um pouco mais de dois anos havia se passado, desde a saída do Egito. A saída, os mandamentos, as regras, as estratégias de acampamento, de guerra. Tudo já encaminhado. Chegam finalmente às portas da terra prometida, e doze homens são enviados por Moisés a espiar. O povo, assim como sua liderança, na expectativa de boas notícias; afinal, foram retirados da escravidão do Egito para esse grande momento. Todos cansados da rotina itinerante, porém, alegremente tensos; afinal seriam um povo respeitado, e assim, o futuro de suas famílias estaria garantido. No entanto, com o retorno dos espias a decepção! E, então, percebemos a força da influência; e como esta pode ser positiva ou negativa, boa ou má. O texto revela esta força em quatro etapas.

Primeiro, a influência (13.27-29, 31-33). Normalmente todo discurso negativo segue uma mesma linha. Primeiro, uma breve palavra positiva: “verdadeiramente mana leite e mel, este é o fruto dela” (27). Para então surgir uma prolongada palavra negativa: “O povo, porém, é poderoso, verdadeiras fortalezas, inimigos terríveis e bem estabelecidos” (28).

O discurso negativo se tornou extenso, forte e conclusivo (31). E para atingirem seu objetivo na influência sobre o povo, começaram a infamar a terra. Isto é, iniciaram uma campanha de difamação, a fim de criarem repulsa, aversão a terra (32). O objetivo era o de enfatizar seu ponto de vista, levando o povo a segui-los (33).

Em segundo lugar, a reação à influência (14.1-3, 10). Primeiro a ira, a raiva, a indignação (1a). Depois, o choro (1b). E, finalmente, a murmuração (2). E com a murmuração a sandice, a insensatez. Um povo que viu e que experimentou o poder de Deus se deixou levar pela má influência. Não está em questão o esquecimento ou o ignorar a existência e a presença do Senhor (3). Eles se lembravam do Senhor, mas foram incapazes de associar Sua realidade à necessidade do momento. E, o pior, é que a raiva, o choro e a murmuração que traz consigo a sandice é normalmente recheada com agressividade (10).

Então se percebe a motivação (14.9). Um coração medroso e rebelde. Medroso para com as dificuldades que batem à porta, chegando mesmo à covardia; mas corajoso o suficiente para se rebelar contra o Senhor. Eu diria, em termos pastorais, um coração desejoso de seguir aquilo que vê, ouve e toca; porém, preguiçoso em exercer fé.

Pronto para acreditar no que ouve na TV; no que lê em livros diversos de autores sequer conhecidos ou qualificáveis; no que ouve de toda e qualquer boca ansiosa para falar, para contar algo, mesmo que não seja exatamente a verdade; no que sente, mesmo sabendo que os sentimentos nos traem, ora revelando simpatia ora antipatia, ora conduzindo a expressões como “te amo” e ora conduzindo ao silêncio, à indiferença.

Mas receoso em acreditar no Senhor. Preguiçoso em ler e em acreditar nas Escrituras; mas pronto para plantar comparações que dificultam a aplicação dos princípios de Deus à vida. Preguiçoso em orar, em crer que Deus tem prazer em ouvir a oração sincera, e prazer maior em atendê-la, mesmo que seja com um “não” carinhosamente confortante. Preguiçoso em ser coerente, em ser responsável, em ser trabalhador. Indisposto a servir a família, a igreja, ao irmão; mas disposto a ser servido por todos, principalmente por Deus.

É interessante como o Senhor descreve isto com maestria através de Jeremias: Maldito o homem que é influenciado pelo próprio homem. Bendito o homem que é influenciado pelo Senhor. E de repente Ele afirma: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?”. O problema está na influência de nosso coração.

Finalmente, temos a conseqüência (14.22-23). Peregrinaram pelo deserto até a morte. Deus tornou a eles aquilo que acreditaram: não herdaram a terra por não acreditarem ser possível. É incrível como o Senhor está sempre a ensinar, provando seu poder. Ironicamente levou o povo a perambular quarenta anos pelo deserto. Cada ano correspondendo a um dia de trabalho dos espias. Além disso, prometeu dar a terra como herança a seus filhos. Os mesmos que os pais disseram que o Senhor mataria se entrassem na terra (30-35).

Em algumas poucas oportunidades disse a jovens (e em especial aos nossos jovens) que muitos passam pela vida sem deixar marcas, até mesmo sem viver. A tendência natural é que aquele que “passa” pela adolescência e juventude continuará a passar até o fim de sua vida, a não ser que Deus aja misericordiosamente. É influenciado a não influenciar, ou a influenciar negativamente, revelando um coração preguiçoso e incrédulo.

Seguindo esta tendência natural, a palavra entra e sai e nada acontece positivamente, nada que revele vida. Por isso temos investido nas crianças e nos adolescentes para que vivam, e ao viverem façam a diferença.

“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele” (Provérbios 22.6). Investimos, influenciando, para que vivam com qualidade, marcando a vida daqueles com quem conviver.

Investimos para que amem ao Senhor, e confiem nele. Rejeitando a influência negativa que os rodeiam, a começar de dentro de casa.

Investimos para que a conseqüência de suas vidas não seja a morte, a começar por um viver terreno miserável. Mas, sim, para que tenham vida expressada na alegria, na bondade, na perseverança, na conquista daquilo que agrada a Deus.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Qualidade se conquista


“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” Provérbios 22.6

O princípio é o de investir. Para se ter um adulto firmemente equilibrado se faz necessário investir em sua educação desde quando criança. Não se espera um milagre diante da inércia ou da indiferença, revelada pela irresponsabilidade do pai, ou do educador.

O mesmo princípio é aplicado à igreja. Em sua carta a Igreja em Éfeso, o apóstolo Paulo escreveu: “E ele mesmo [Cristo] concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres [sintetizando: concedeu uns para líderes], com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (4.11-12). Deus capacita a igreja, levantando líderes para que estes aperfeiçoem a todos, a fim de que todos (e cada um) contribuam qualitativamente (aperfeiçoados) para a edificação da comunidade.

É preciso investir! Investir tempo, dinheiro, conteúdo, relacionamentos, para que o salvo em Cristo, pertencente a Sua igreja, seja útil. Não simplesmente para fazer algo, mas para fazer bem, muito bem.

sábado, 17 de novembro de 2007

Por quê?

Pergunta que revela a existência de um enigma, algo não entendido, e que geralmente dói. É preciso que o não-entendido doa para que surja a pergunta. Há muitas coisas que não entendemos, mas elas não doem. Não doendo, a pergunta não surge. Fazemos a pergunta numa tentativa de diminuir a dor, para dar sentido à dor.

“Por que você falou desse jeito?”
“Por que não me ligou?”
“Por que quer terminar o relacionamento?” ...

Quem pergunta “por quê?” deseja uma resposta. Quer uma explicação, pois uma dor explicada é uma dor que dói menos (às vezes). Mas existem situações em que a pergunta surge sem esperança de resposta. E, mesmo que seja dada, de nada valeria.

“Por que morreu?”
“Por que nos deixou, partindo para o nunca mais?”
“Por que não passei?”

Na realidade não se espera uma resposta. O “por quê?” é um grito de protesto dirigido aos céus, um urro que nenhuma resposta explicará ou consolará. Grito que se grita diante da dor sem consolo. Em horas assim não há ateus. Se a cabeça diz que Deus não existe, o coração afirma que tem de existir.

Respostas teológicas surgem em ritmos divergentes, porém, apontando para uma mesma direção, numa tentativa de declaração: a explicação das razões baseadas no relacionamento entre o Deus onipotente (para alguns, transcendente, para outros, imanente, e ainda para alguns, tão um quanto o outro) e o homem, tão carente.

Diante de um “por quê?” a resposta divina é ansiada, porém, o que menos se espera, e é exatamente o que mais ilude e faz doer, é por uma resposta humana travestida como divina. É a postura de consciente ou não servir de porta-voz, ou intérprete do Criador; assumindo, assim, sacerdócio exclusivo. É a loucura de achar que se não houver uma resposta a todas as nossas perguntas, Deus perde seu posto e função de Soberano. É a tentativa ousada de domesticar a Deus, levando-o a concordar e a discordar com toda a vontade do abusado adestrador. Respostas assim causam mais sofrimento, além de orientar mal, guiando seu ouvinte a uma crença insana.

O Deus revelador em muitos momentos em sua Revelação ficou em silêncio, deixando o homem sem resposta para algumas indagações. E, mesmo, revelando somente aquilo que achou interessante, necessário. É mais fácil acreditar na limitação e ignorância do homem do que na impossibilidade do Criador. Isto nos ensina que há resposta para tudo, porém, que nem sempre deve ser revelada. Assim, há espaço para que alguns dos meus “por quê?” fiquem no ar, como desabafo, ou mesmo dúvida. Melhor assim, do que as respostas humanas travestidas de divinas!

De qualquer forma, eu estou aqui, Deus também, além de lá; e continua a me guiar. Respondendo ou não ao meu “por quê?”.

“Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Salmo 42.11).

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Estou cego, pois enxergo


Interessante a experiência do apóstolo Paulo no caminho para Damasco, quando ainda era Saulo. Um dos pontos que mais me desperta a atenção é o de ter Saulo ficado três dias sem enxergar (Atos 9.9). Por que esta necessidade? Creio que Saulo jamais enxergou tanto como neste período em que esteve cego. Um jovem idealista que buscava fogo para queimar (9.1-2); agitado em viagens de perseguição, com sede de extermínio (9.21). Para enxergar a realidade teve de ser sossegado pelo Senhor com um período de reflexão, sem subterfúgios para o entreter. Assim, por três dias, enxergou, avaliou e tomou decisão como nunca antes (Filipenses 3.4-11).

Em um mundo onde imperam a velocidade, a ganância e a abstinência moral, a realidade às vezes só se apresenta nítida àqueles que perdem a visão para o corriqueiro. Enquanto “enxergam” são deficientes quanto ao escutar, e ao reparar; assim como ao toque, e à necessidade alheia. Quando alguém perde a visão passa, por necessidade, a exercitar a atenção; conseqüentemente passa a ser mais gente, usar mais o coração; passa a dar mais valor para a solidariedade. Assim, se perde a visão, mas se recupera a lucidez; se perde a visão, mas se recupera o diálogo, principalmente com o Criador.

Enquanto o homem age como senhor, levado por aquilo que enxerga, atropela a verdade e a real necessidade de todos (sua e a dos que convivem com ele). Para ocorrer mudança, é preciso arrependimento e conversão. Esta só se apresenta quando é cegado para o eu. Então, como “cego” passa a enxergar com os olhos do Senhor. Somente assim, moral e espiritualmente falando, pode com alegria dizer: “estou cego, pois, enfim, enxergo!”. E não se torna alvo da repreensão do Senhor:
“Surdos, ouvi, e vós, cegos, olhai, para que possais ver. Quem é cego, como o meu servo, ou surdo, como o meu mensageiro, a quem envio? Quem é cego, como o meu amigo, e cego, como o servo do Senhor? Tu vês muitas coisas, mas não as observas; ainda que tem ouvidos abertos, nada ouves.” (Isaías 42.18-20)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Viver é ser criança

A percepção e o entendimento dependem da interpretação particular sobre aquilo que se apresenta ou é apresentado. Por isso a hermenêutica e a exegese são de valores incalculáveis, redundando em lógica coerente ou não. Tudo depende de quem vê, se vê, e como vê.

Temos um maravilhoso, e bíblico, exemplo quanto ao viver. Todos querem chegar à maioridade, isto é, ser adulto na compreensão e no agir; entendendo ser esta a fase e a forma mais bem sucedida de se viver. Os adultos pensam e agem como se as crianças nada soubessem. Por isso as crianças aprendem e os adultos ensinam. No pensamento comum, infância é o ponto de partida; enquanto a condição adulta é o destino, o ponto de chegada.

A exortação bíblica caminha na mesma direção, exortando-nos a agir com maturidade, não sendo mais infantil quanto à instabilidade e indisciplina: “não sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina” (Efésios 4.14). Em textos como estes, o Senhor nos adverte a agirmos equilibradamente quanto àquilo que alcançamos, de maneira que não venhamos a regredir.

No entanto, o Senhor, através de Sua Palavra, traz um contra-ponto: se por um lado devemos progredir em maturidade, agindo como adultos conquistadores; por outro lado, devemos cuidar para manter a vida em sua perspectiva infantil: “Deixai os pequeninos, não os embaraceis de vir a mim, porque dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19.14). “Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus” (Mateus 18.3). A verdadeira vida, aquela que indica o caminho e o estilo do reino, é mais bem retratada pelo estilo infantil: sem dificuldades para se humilhar, para se arrepender, para assumir dependência; companheirismo; autenticidade; facilidade em perdoar; coragem para arriscar; alegria, revelada pelo prazer em viver. São características imprescindíveis para se viver bem, sem a doente malícia, e a escravidão do “agradar” ao outro, a fim de conquistar o que se deseja.

A poetisa mineira Adélia Prado suplicou: “Meu Deus, me dá cinco anos, me dá a mão, me cura de ser grande...”. Sua doença era a de ser grande, de ser adulta. E este tipo de doença se cura tomando chá de infância, virando criança de novo: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Interessante a afirmação de Jesus a Nicodemos, principalmente após sua advertência: “Tu és mestre em Israel e não compreendes estas cousas?” (João 3.10). Tu és adulto, mestre, e não entendes? Precisa ser como criança, nascer novamente, crescer e viver como criança para então receber e gozar a vida eterna.

Quando os adultos com sua formação e interpretação particular ensinam nos tornamos cientistas, doutores no saber, na arte de dominar o mundo. Quando as crianças ensinam nos tornamos sábios na arte do viver. Elas nos ensinam a nos libertarmos de nós mesmos, dependendo única e exclusivamente do Senhor (Mateus 18.1-5).

Com o crescer aumenta-se o conhecimento, e com este a consciência, multiplicando a responsabilidade. Esta é a conquista adulta a ser preservada. Porém, com o crescer aumenta-se também o pecado, e com este a malícia, a soberba, o medo, e o orgulho. Esta é a parte a ser convertida. E esta conversão se dá em viver como criança. Volte-se ao Senhor e ele o converterá em criança.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007



Falsidade

Mãos que se encontram ritualmente
Selando a cínica legalidade
Manifestada em sorriso deprimente
Assassinando a todos na formalidade

Abraços em absoluta desconexão
Revelam a autodefesa
Daqueles que escondem a emoção
Por medo de se tornar uma presa

Como se libertar da falsidade
Que se agiganta com a idade?

Seguindo o que Cristo revelou
“Ser como uma criança”
Que não tem medo do amor
Nem de aceitar Sua aliança

Wagner Amaral
18/10/2007