terça-feira, 7 de novembro de 2006

Pastores como "membros indesejáveis"

Todo pastor visualiza uma igreja assídua e participativa, tendo cada membro como um expoente de sua visão ministerial, uma visão otimista, uma visão comunitária. Buscando transformar sua expectativa em realidade, conclama os membros a estarem em todas as programações, a sentarem-se na frente, a serem ativos, demonstrando seu amor uns pelos outros.

A palavra de muitos pastores sobre os membros que não se encaixam neste perfil progressivo é a de desolação ou de crítica, percebida por meio de reclamações, ou de comentário desnecessários, desagradáveis, desprovidos de direcionamento ético.

Para mim, o mais impressionante (pecaminosamente incrível) é como muitos pastores quando na condição de participantes, de membros, em associações, pastorais ou denominacionais, agem exatamente como os “membros indesejáveis”. Não são assíduos, nem participativos. Não são amáveis, quando muito são “cordialmente políticos”. Não cooperam financeiramente, irando-se quando chamados à responsabilidade. Possuem, inclusive, a tradicional mania de sentar-se atrás, não gostando do chamado à frente, a mesma que fazem, quando em suas igrejas, ao membro que insiste em sentar-se nos últimos bancos. Enfim, pastores que agem como os “membros indesejáveis”.

Todo pastor espera que os membros participem das discussões, e saiam das assembléias compactuados com a decisão assumida pela maioria, sem murmurar ou deixar de participar por ter sido voto vencido, entendendo que a vontade do Senhor foi manifestada na decisão majoritária. Todo pastor espera que os membros priorizem os programas da igreja, planejados com o propósito de edificar a todos, trazendo crescimento à comunidade. Diante disto, torna-se absurdo perceber pastores que ao contrário do que ensinam e esperam dos membros de sua comunidade, agem discordante e desagregadoramente, ignorando o planejamento de seu movimento, não priorizando o seu crescimento, agendando programas para as datas anualmente conhecidas de atividade dos adolescentes, dos jovens, das mulheres e dos homens. Enfim, pastores que agem como os “membros indesejáveis”.

Percebo, em meio a esta triste realidade, o porque de alguns membros serem insistentemente indisciplinados. Entendo o porque de algumas igrejas não terem uma visão agregadora e espiritual. Como afirma o ditado: “A igreja é a cara de seu pastor”. Evidentemente que há exceções para esta afirmação, criando o entendimento de que cada caso é um caso; no entanto, em muito, alguns membros e algumas igrejas não crescem porque há muitos pastores que vivem como os “membros indesejáveis”.

Que tipo de pastor você é?
Os membros de sua comunidade estão de olho em você!

2 comentários:

Dâmaris disse...

É engraçado como nossa tendência é a de ver os pastores como super-heróis. Esquecemos que eles são pecadores assim como nós.
Por isso devemos estar constantemente intercedendo por eles, e muitas vezes intecedendo por coisas tão simples como esta mencionada. Simples, mas que faria um tremendo efeito nas igrejas locais.
Sem esquecer de que isso não justifica as atitudes dos "membros indesejáveis", mas as fortalece.


Entre conselhos e discipulados
Mantêm seus medos guardados.
Em meio a projetos e decisões
Abdica de suas ambições.

Entre a família e amigos
Toma pra si problemas alheios
E com amor acalma os aflitos
Adormecendo seus anseios.

Pastor de ovelhas
Ovelha do Bom Pastor.

Que também é esposo,
Pai terno e protetor,
Amigo amoroso.
E como eu, pecador.

Wagner Amaral disse...

Lindo soneto, Dâmaris.
Parabéns pelo diagnóstico maduro.