terça-feira, 14 de novembro de 2006

Tempo de adoecer

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu [...] Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo” (Eclesiastes 3.1, 11).

É admirável o conhecimento que se nutri do Senhor, o que torna ainda mais espantoso a inércia deste conhecimento no viver. Decididamente saber não é viver! Não há um santo, crente ou profano, que não concorde quanto à necessidade de diminuir o ritmo de suas atividades, da correria de seus dias. Agitação estafante, estranguladora do prazer, e principal responsável pela inversão das prioridades pelas urgências. “Estresse, estresse” é o termo modal na boca dos entendidos médicos e, na do ignorante povo. Toda e qualquer imagem interiorana ou praiana desperta suspiros e sonhos distantes, empurrados para a sempre distante e atrasadas férias.

Deus já revelara tão objetivamente quanto ao tempo, que parece gerar descrença em seus ouvintes (a descrença será na mensagem ou no mensageiro? Talvez nos dois). Há tempo para tudo, e isto inclui tempo para descansar. Tempo para curtir a família, os irmãos, a natureza. Tempo para refletir. Tempo para um check-up na saúde. Tempo para desligar o celular, para se desplugar. Tempo para dizer “não”, mesmo quando tudo indica que você é o único possível e disponível para a tarefa.

Vez por outra o agir Soberano “prega uma peça” naqueles que não têm tempo de parar: enfermidade, cancelamento ou atraso no vôo (problema atual em nosso país) mostram que o mundo não trava quando você para, que as pessoas vivem exatamente da mesma forma, quando não melhor, em meio à sua ineficácia, que aquela tarefa que somente você faria é realizada por outro, ou substituída por outra superior. E assim, as desculpas que servem como combustível para agitação e falta de tempo são humilhantemente derrubadas.

A real probabilidade é a de que o orgulho seja o grande vilão, pois o receio não é o desandar da rotina, mas sim a possibilidade de ser ignorado, substituído, encostado. A batalha do ego concentra na conquista do reconhecimento, nem que para isto se tenha uma vida de má qualidade, sem prazer.

Vale a pena?
Prefiro o descanso no Senhor ao orgulho do ativista, assim como o bife no suave e pacífico lar ao caviar na estupenda e irada família. Afinal, a vida é mais atraente e prazerosa quando não seguimos na utopia de um senhorio próprio, mas reconhecemos o senhorio de Deus.

2 comentários:

Thiago Jordão disse...

Bem verdade mesmo, pr...
Às vezes fico pensando, e parece que mesmo se vivessemos 500 anos, como alguns personagens bíblicos, ainda assim nossa vida seria essa correria...
E talves essa seja a austucia predileta de Satanas ultimamente, pq temos tantas ocupações que nos esquecemos do que importa realmente...
Me surpreendo algumas vezes correndo tanto (até mesmo com as atividades da igreja), ao passo que deixo de dar atenção ao que importa para Deus - meu relacionamento com Ele.

Wagner Amaral disse...

Quando refletimos sobre isto devemos pisar no freio, pois não adianta o pensar e nada fazer; ao contrário, esta prática afunda ainda mais a pessoa. Pisou no freio? Então, qualifique suas ações.