quarta-feira, 18 de outubro de 2006

Expectativa política

Apesar da costumeira desconfiança e das comprovadas maracutaias que nos desmotivam a participação política, somos chamados a responsabilidade, a cidadania, produzindo o cuidado divino nas exortações para com as autoridades, os governos, afinal, estes dizem respeito à nossa vida diária: moradia, alimentação, estudos, saúde, religiosidade, esportes, liberdade de expressão, segurança, emprego, ... Consciente ou não a política nos move, nos envolve.

Isto fica mais claro em época de eleição, quando a população é impactada pelas discussões, e gostos, que, às vezes, mais se identificam com torcidas de futebol, prevalecendo a paixão, o gosto particular desnudo de razão, mas repleto de sentimentos.

Como cristãos a responsabilidade é iniciada pela necessidade de consciência política, o que biblicamente se encaixa no famoso, mas difícil, discernimento. Discernimento em escolher bem, mediante acurada investigação e análise do candidato e de seu programa. Discernimento na cobrança da conduta do candidato “eleito”, conforme programa pré-estabelecido.

Infelizmente, a igreja tem-se mostrado inoperante quanto a esta tarefa em fases de sua história, tornando-se medíocre em suas críticas, assim como a maior parte da sociedade que participa efetivamente da destruição do patrimônio público e privado, que não coopera com a manutenção da cidade, que não contribui com idéias e trabalho, mas que diante da conseqüência prejudicial de seu próprio descaso, irremediavelmente culpa o “governo” por toda catástrofe existente.

Diferentemente destes, a igreja, que tem a responsabilidade de ser “sal na terra” e “luz no mundo” tem de assumir sua tarefa que se apresenta de forma implícita e explícita. Implicitamente, honrar, obedecer, cumprir a lei, rejeitando o jeitinho brasileiro que em nada se alinha ao padrão de santidade de seu Senhor.

“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele [...] Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, façais emudecer a ignorância dos insensatos; como livres que sois, não usando, todavia, a liberdade por pretexto da malícia, mas vivendo como servos de Deus. Tratai todos com honra, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei.”

“Lembra-lhes que se sujeitem aos que governam, às autoridades; sejam obedientes, estejam prontos para toda boa obra, não difamem a ninguém; nem sejam altercadores, mas cordatos.”

Ao contrário de se entregar à tentação do falar mal, do difamar, a igreja deve interceder por aqueles que são autoridade, por decisão do Senhor.

“Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade.”

É impressionante como o “povo de Deus” encontra enorme facilidade e disposição de passar e-mail’s e de conversar difamando e criticando as autoridades governamentais, mas, em contrapartida encontra teimosa dificuldade em orar, interceder em favor destes. Parece que a igreja sofre de amnésia quanto a esta tarefa.

Explicitamente, a tarefa da igreja é a de proclamar a verdade, o evangelho, que traz a mensagem de Deus quanto a salvação e a vida (o que inclui, em muito, a política). O evangelho é o poder de Deus para salvação. É a lei de Deus para a mudança de vida, que envolve santificação. É a proclamação da ética divina que realça o amor, a imparcialidade, desnudando a mentira, o orgulho, a inveja, a dissensão.

Mediante este proceder a igreja tende a uma expectativa realista. Fico surpreso com o cristão (principalmente o líder) que se surpreende com a corrupção, a conduta pecaminosa entre os políticos, deixando-se desanimar, abater. Qual a surpresa? O que esperar de pessoas que não tem o Senhor como seu Deus? Ele já afirmara que este mundo jaz no maligno e que o homem natural não entende as coisas espirituais; então, o que esperar, perfeição, ética impecável? O cristão que assim se apresenta ou não conhece as Escrituras devidamente ou não leva à sério as afirmações de Deus. É exatamente por isso que somos chamados a fazer a diferença no mundo. Assim, nossa expectativa não deve ser a de perfeição por parte destes, algo impossível até à nós, enquanto possuidores desta natureza pecaminosa.

Neste aspecto o pastor é figura essencial. Em época de eleição (fase atual), o pastor tem a responsabilidade de ensinar ao povo o exposto até aqui por meio de sua conduta, de seu exemplo, e de suas palavras. Mas deve também ensinar o povo a votar, e isto inclui o entendimento de que a pessoa está escolhendo um líder político não um líder religioso. Esta idéia de que crente vota em crente surgiu da mente de quem espera alcançar votos, muitos votos. Escolhemos pessoas que farão e que executarão leis. E esta escolha considera que este líder tem de ser avaliado por seu caráter (o aceitável, levando-se em conta a realidade humana), isto inclui a família. Tem de ser avaliado por sua visão, por suas opções de governabilidade, e também, avaliado por seu trabalho, seu currículo.

O pastor cumpre com seu papel ajudando as pessoas a escolherem bem seus candidatos, através dos princípios bíblicos e éticos existentes. Não é tarefa do pastor escolher os candidatos para as pessoas, mas sim instrui-las à assumirem, com maturidade, sua responsabilidade, sendo cidadãos exemplares, mesmo que estejamos neste mundo, não sendo todavia literalmente dele.
Faço a minha parte para com a igreja, enxergando a realidade da ação de Deus transformando-a, mas também enxergando a realidade de suas imperfeições. Afinal faço parte dela.

5 comentários:

Pier disse...

Louvo a Deus pela sua iniciativa de tornar a Teologia algo ainda mais prático. Certamente irá ajudar pastores, líderes e o povo de Deus cumprirem melhor a missão que o nosso Senhor nos delegou.
Você me incetivou a tratar sobre politica de maneira formal "dentro" da igreja local.

Wagner Amaral disse...

Sou iniciante neste exercício, e o objetivo é que o Senhor faça proveito. Para isto dependerei da interação dos outros, como a sua. Aliás, você foi o primeiro a comentar, obrigado!

Thiago André Monteiro disse...

Wagner,
nem sei bem como o link do seu blog chegou no meu mailbox, mas chegou.
Desde já parabenizo sua iniciativa. Já tentei manter um site, depois um blog e sempre acabei desistindo. Talvez tenha me faltado tempo, ou talvez maturidade. Quem sabe sua iniciativa não me dá um empurrão para tentar novamente?
Que Deus abençoe este espaço. Um pequeno cômodo 2m x 2m dentro de uma mansão de lixo cibernético. Que este espaço se torne pequeno para aquilo que Deus tem em Seus propósitos e que ajude a abrir novos espaços exortando mentes adormecidas que poderiam fazer mais pela obra de Cristo e não o fazem.

Cida Regis disse...

Bravo! este é o meu pastor. Vou ler seu blog sempre que tiver um tempinho, quem sabe poderemos conversar um pouquinho. Bjs.

Pier disse...

Ontem assiti o debate. Fiquei muito triste com o que ouvi. Pensei: será que não é melhor votar em branco quando você não consegue distinguir o menos pior? Será que tamném não é um exemplo de cidadania demonstrar sua indignação diante de tanta mentira e corrupção?